A problemática da sessão de autoajuda da livraria

Nunca fui fã do gênero autoajuda, sempre achei que tudo o que precisamos para ser feliz está dentro de nós™. Mas a vida, ela, a vida, sempre nos provando das piores formas possíveis e hoje eu entendo que a paz não está somente dentro de mim ou em uma música do Coldplay, mas também nas páginas de um livro de autoajuda.

E eu estou na livraria à procura daquele livro que promete curar meu coração, me enriquecer porém legalmente, com propósito e paz de espírito. Eu estou ali, depositando toda a minha juvenil esperança em meia dúzia de estantes de madeira no fundo da livraria, a conhecida sessão da vergonha, a sessão de autoajuda, onde as almas desesperadas se encontram e compartilham em silêncio a sua dor.

Passo como quem não quer nada, "opa, tô aqui andando despreocupada, opaa olha só, sessão de autoajuda, que bacana que legal, deixa eu dar uma olhada". Ninguém precisa saber que a missão da minha vida nos últimos 15 minutos foi identificar e chegar até ali.

Então eu estou lá, passando depressa pelas prateleiras, tentando não demonstrar o interesse em todos os títulos do tipo "emagreça dormindo em cinco passos etc", mostrando desinteresse, despreocupação e aquele ar de uma pessoa de humanas, que cura suas dores com Shiatsu.

Daí que eu cruzo com aquela pessoa, a pessoa com aquele brilho no olhar, mas não do tipo que a gente deseja ter, é aquele brilho de desespero. Aquela pessoa também está desesperada atrás dos últimos lançamentos do Augusto Cury, e quando olha no fundo do teu olho, vocês se identificam e compartilham aquele momento. Em silêncio.

Neste ponto da vida já tem um painel luminoso piscando em cima de mim "gordinha depressiva desesperada procura...", e eu só quero sair correndo dali com meu livrinho do Deepak Chopra escondido debaixo do braço.

Terapia e livros de autoajuda, todos precisamos, jamais admitimos.

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3 comentários:

  1. Eu ri um pouco com esse post, mas só um pouco. Não sou uma grande fã de livros de auti-ajuda, MAS tenho alguns deles em minha estante. Não é desonra procurar algo que nos ajude a enfrentar o caos existencial.

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  2. Eu ri um pouco com esse post, mas só um pouco. Não sou uma grande fã de livros de auti-ajuda, MAS tenho alguns deles em minha estante. Não é desonra procurar algo que nos ajude a enfrentar o caos existencial.

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  3. Também não sou fã desse gênero literária mas já m e vi apelando para eles em diversos momentos de crise, onde tudo o que eu precisava pra continuar seguindo em frente era algumas doses de otimismo. Funcionou, enchi o copo, voltei e bebi até a última gota e ele passou a ficar meio vazio novamente rs

    Faz parte.

    Adorei o blog. Beijos.

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