Brilho eterno das doces lembranças

Quando um relacionamento acaba a gente passa por um processo de esquecimento forçado de tudo o que vivemos com aquela pessoa. É um padrão básico e óbvio para evitarmos o sofrimento. O que foi bom a gente quer manter e sorrir com a saudade num final de tarde. O que foi ruim, preferimos apagar pra sempre.

Porém a saudade pode ser dolorosa também. Então os momentos bons não compensam a dor e amargura que nasce a partir de um fim. Ai começa a grande luta por apagar tudo o que tem relação com a pessoa. Não a toa, a grande maioria dos casais não conseguem manter a amizade após a separação.


De uma hora pra outra, boa parte da sua vida não existe mais, ao menos no plano físico. Ainda existe a caixinha complexa e cheia de surpresas que é a mente da gente, e os momentos que foram vividos e armazenados, possuem vida própria e permanecem ali, independente da nossa vontade. Existiu, está lá, não será esquecido.

Como Joel diz, blessed are the forgetful! Bem aventurados são os esquecidos, pois tiram melhor proveito de seus erros. Nietzsche já nos ensina há tempos.
Ah, se fosse apenas desligar um botão. Guerras seriam evitadas, eu ouso dizer.


O processo do esquecimento pode se tornar ainda mais difícil por causa das nossas âncoras. Um cheiro que remete a um momento, um lugar que remete a lembranças tão precisas, que você é capaz de lembrar da roupa dele naquele dia, das exatas palavras, do sorriso. Parece até que dá pra sentir tudo de novo. As lembranças esquentam. O amor é sinestésico. Sempre teremos o nosso próprio Montauk. 


E tudo isso pra dizer que a gente nunca escapa das armadilhas da mente. Que as lembranças existem e permanecerão existindo e nos pregando peças, que elas são construídas independentes da nossa vontade, durante toda a nossa vida, sem reset. 

Blessed are the forgetful!
Da minha parte, sei que por muito tempo continuarei indo ao seu encontro em nosso Montauk pessoal. E nós temos muitos.

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7 comentários:

  1. Essas fases são difíceis, mas impossíveis de não acontecer.
    Processo doloroso, mas com o tempo a gente vai esquecendo e logo já se vê em outras oportunidades.
    A saudade tem que estra lá, mas ela embora dolorosa, vai embora. É bom terminar sendo amigos, mas se não dá, acho que é normal também não manter laços. Sorte!

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  2. Nossas lembranças são sacanas as vezes (ou muuuuuuuitas vezes) e sempre nos jogam de novo tudo aquilo que a gente quer, ou pelo menos está tentando esquecer. Não é fácil =/

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  3. Eu penso que depois do fim, deveriamos guardar as coisas boas, os aprendizados, e nao as mágoas e a raiva do término. Por isso a amizade não vai pra frente e a amargura permanece no coração. :/

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  4. Impossível esquecer tudo, por mais que a gente tente... Sempre ficam as memórias mais importantes, as felizes e (infelizmente) as péssimas.

    http://naomemandeflores.com

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  5. Na minha experiência, embora eu já esteja com meu atual há quase 11 anos rs eu só esqueci o anterior quando esse chegou. E olha, não tem nem comparação rs Claro que algumas lembranças ficam, a experiência é válida e cada um sente da sua maneira, né? Se for difícil, paciência. Uma hora tudo vira passado e doces lembranças.

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  6. esse filme é uma filosofia e tanto!
    adoro jim carey fazendo drama.
    mas o que você disse é fato. Acho que as pessoas tem que aprender que: maturidade é você não ESQUECER COMPLETAMENTE TUDO, e sim lembrar das coisas boas e: ter maturidade para lidar com as ruins. Não podemos jogar fora totalmente quem um dia nos deu amor e nos proporcionou momentos felizes :)

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  7. "As lembranças esquentam. O amor é sinestésico". Linda colocação.

    Tentar ser grata por tudo e apesar de tudo o que acontece na vida é um exercício diário que tento fazer. Acho mais fácil admitir pra mim que não vou esquecer tão cedo determinada coisa, pessoa, ou situação. Como em outro filme, "Comer rezar amar", onde a moça aconselha o ex-marido: "sente minha falta? Então SINTA!". Não há como lutar contra algo que se sente. Mas há como lidar bem com o que se sente até o dia em que nem nos lembramos mais, simplesmente porque a vida segue e nos traz caminhos novos sempre.

    Gostaria que quem passou pela minha vida pensasse como eu, nesse aspecto. Gosto de ser grata e expressar minha gratidão, mas há quem prefira cortar relações, sabe-se lá porque. Faz parte do exercício cotidiano (tentar) ser grata mesmo assim. Quando vi esse filme LINDO pela primeira vez, decidi de uma vez por todas que vale mais a pena ter uma mente abarrotada de lembranças, mesmo que brilhe menos, ou que seu brilho oscile eternamente. Aja o outro como agir.

    Beijos!
    www.artezanni.wordpress.com

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