Filme e Livro: On the Road

On the road tinha o roteiro perfeito, a direção perfeita e o elenco perfeito para ser um PUTA filme, mas não. Os caras basicamente rodaram de carro o e transaram o filme inteiro. Foi isso.


Jack Kerouac, considerado o grande percursor da geração beat, é um escritor relevante para a literatura. On the Road foi escrito em três semanas, após meses de viagens de carro por toda a América do Norte e Sul. Jack Kerouac e Neal Cassady quebraram as barreiras do american way of life quando decidiram viver a vida on the road. Em uma américa dominada pela consciência do pós-guerra, onde a coisa certa a se fazer era apenas trabalhar e ser o exemplar cidadão americano, Sal Paradise (Jack Kerouac) e Dean Moriarty (Neal Cassady), viraram as costas para todas as regras e estilos de vida "quadrados" para fazer o que os deixava felizes. 

Sal, Dean e sua esposa de 16 anos, Marylou cruzam os Estados Unidos de carro, dando carona para quem precisasse e fazendo amizades em cada local. Vendem o almoço para comprar a janta, furtam quando podem, Dean rouba carros para continuar viajando, ou apenas por diversão. Conhecem garotas (geralmente quando Marylou não está por perto), bebem, fumam, são felizes.

O livro é com certeza bem melhor do que o filme. É outra visão do que foi a geração em que viveu Jack Kerouac, e dos motivos que os levaram a fazer tudo o que fizeram... coisas que ficam superficiais demais no filme. No livro, há outros personagens muito importantes para a história de Jack e Neal, que ficaram completamente de fora no filme. São muitos amigos, muitas relações profundas, muitas histórias vividas na estrada. 

Infelizmente, a sensação que dá é que a direção de Walter Salles errou a mão, ou fez o filme para chocar uma sociedade do séc XXI, com meninos dirigindo pelados e fazendo orgias. Não funciona!!

Mas vamos ao elenco do filme: No papel de Sal Paradise temos o sempre bom Sam Riley. Como Dean Moriarty temos o Garret Hedlund, e como Marylou temos Kristen Steward. Devo deixar claro que adorei o trabalho do elenco, em especial do Garret Hedlund, um ator não muito conhecido, mas que mostrou trabalhar muito bem. O papel de Dean Moriarty exige muito do ator, pois se trata de um personagem excêntrico, elétrico, diferente de tudo, e só lendo o livro você terá a perfeita noção que quem é/foi esse cara.
 

Sam Riley é um ótimo ator, mas nesse filme o papel não exigiu muito dele. E Kristen Steward é boa, mas na maioria de seus papéis é sempre a Bela do Crepúsculo. Marylou é uma personagem apagada, sem gracinha, mal fala durante todo o livro, então no filme não foi diferente.

Alice Braga, atriz brasileira sempre atuando muito bem, fez uma participação. 

Eu precisava ver a profundidade e a sensibilidade retratada no livro. O porquê de Dean Moriarty se um filho da puta e mesmo assim conquistar nosso coração, nos fazer querer que tudo acabe bem para ele. Porque On the Road é uma homenagem de Jack Kerouac para Neal Cassady... é muito mais sobre Neal do que Jack, do que Marylou. E a verdade é que a história se torna completamente chata quando Den Moriarty não está.. você lê o livro inteiro para se encontrar com Dean Moriarty.

Eu li o livro depois de ver o filme, mas mesmo após sair da sala do cinema, eu sabia que faltava algo. Eu não comprei a historia logo de cara, pois depois de tudo que havia lido na internet tinha certeza que iria ver um espetáculo de filme, algo mais ao estilo de "A Natureza Selvagem". Depois de ler o livro, entendi que jamais aquilo poderia ser repassado para as telas do cinema, que todos os dilemas de uma geração não cabem em 180 minutos.
 

Por isso talvez o filme seja desnecessário, pois a maioria das pessoas que assistiram e saíram do cinema encantados, queriam mais é ver putaria mesmo, e nem entenderam em que contexto tudo se passou. Uma história como On the Road deve ser conhecida como foi escrita. E o estilo narrativo desse livro é algo incrível.. diferente de tudo que já li.. parece um cara chapaco escrevendo em seu diário, e poderia ser se não fosse um escritor a nível Jack Kerouac.

Ainda sobre o livro, não achei nada "chocante demais"... Claro que On the Road nos anos 50 chocaria e chocou mesmo, mas nos anos 2000 não.

Nada que sua mão não aguente ler. Recomendo.

@PetitDay

8 comentários:

  1. Livros e suas adaptções cinematográficas... Poucas são certo!

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  2. Eu ainda não assisti o filme, sério. Mas ainda penso que a história seja mesmo difícil de adaptar, pois sua essência não está tão somente nas idas e vindas na estrada, mas na aura que paira sobre os escritos. Uma pena que o Salles tenha reduzido tudo isso a cenas de sexo e meras viagens de carro, como você disse. Acabei de ler o livro há poucos dias, li a versão que reproduz o manuscrito original, e farei uma resenha crítica dele em breve. Não sei se você sentiu o mesmo que eu, mas enquanto eu o lia eu sentia que algo me atraia para estrada, como se o livro fosse um convite à uma vida desapega e sem as imposições da rotina à qual nos adaptamos...

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/09/in-treatment.html

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  3. Day,
    excelente texto!
    Livro sempre é infinitamente melhor que alguns filmes...
    Alice Braga é ó concour né?!
    bjs

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  4. Publiquei ontem meu post sobre o livro, lhe espero lá no Sublime Irrealidade. Beijos!

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/09/on-road-o-livro.html

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  5. Engraçado, não consegui terminar o livro, apesar de ter ouvido falar tão bem. Penso que minha mente não estava suficientemente aberta quando tentei ler, achei de mal gosto, não sei explicar... Fiquei com curiosidade de ver o filme, mas não realmente interessada, mas acho que vou acabar assistindo! :P E um dia pretendo tentar o livro denovo certamente.

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  6. Pra mim smells like teen spirit, ou seja, não dá pra envasar e sair vendendo.
    Já vi o livro por aí, foi um dos que deixei escapar.
    Talvez um dia eu leia.

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  7. Eu gostaria de entender qual foi a do Walter Salles. O filme não tem profundidade alguma.

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  8. Nossa você traduziu o que eu não consegui expressar, apenas senti em relação ao filme. Fiquei decepcionada com o filme, como você disse, um livro como aquele não cabe em 180 minutos. Texto maravilhoso :)

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