Sensacionalismo cruel

Eu não falo das desgraças alheias, das notícias da TV, dos escândalos políticos. Por mim, eu nem sequer saberia de todas essas coisas. Só zapeio por algum canal da TV à cabo em busca de algum programa que eu curto, nos horários em que sei que eles passam, e só. O que vejo e escuto de resto, é por acaso, porque a minha mãe está vendo enquanto estou em casa.

Eu não comento sobre aviões que caem, sobre terremoto no japão, sobre político que não gosta de negros e gays, sobre chacina no RJ. Algumas coisas eu só sei que estão acontecendo pelos Trend Topics no Twitter, ou pelo Blog das pessoas que leio, acredite. E quer saber? Eu não me interesso.

A minha vida já é suficiente para me causar preocupação, por si só já dá noticia o suficiente pra um dia, e um psicólogo se entreteria comigo fácil. Por isso eu não me interesso pela desgraça que acontece no mundo. E não me interessar, é diferente de não me importar. É claro que me importo com a dor das pessoas, mas eu não consigo imaginar o que é perder um filho. Eu não consigo imaginar o que se sente ao perder a sua casa em uma enchente. E eu não posso fazer nada para ajudá-los. 

Sempre digo que eu não poderia ser uma Jornalista, pois eu não consigo ser imparcial, eu não compactuo com o que não concordo, eu jamais perguntaria pra uma mãe que perdeu um filho o que ela esta sentindo, eu nunca transformaria a desgraça alheia em entretenimento. E é isso que está acontecendo.


Agora tudo o que vemos tem relação com o que aconteceu naquela escola no RJ. 
- Saiba como era a vida do assassino na infância;
- Como identificar comportamentos esquizofrênicos;
- Entrevista com quem saiu vivo do massacre;
- A violência nas escolas públicas;

E por aí vai.. Eu não aguento mais! Ouvir falar até que esse ataque no Brasil foi o primeiro à ser comparado com aqueles que acontecem nos países de 1° mundo. E que relevância tem isso, Deus do céu? É mérito isso agora?  E é sempre assim, com o terremoto no Japão não foi diferente, vi até matéria listando os países mais e menos prováveis de ter terremoto, tsunami, maremoto... e outras desgraças.


Isso me deixa irritada. Se não podem ajudar, respeitem, calem-se. Respeito o estilo dos outros blogueiros, de forma alguma estou reclamando deles. Falo mesmo é da imprensa, dos jornais supostamente sérios, que botam repórteres para entrevistar famílias arrasadas enquanto enterram os seus.


Eu não sou audiência para a infelicidade das pessoas, e meu Blog não é utilidade pública, aqui eu não falo dos outros, aqui não é uol ou G1.
É apenas mais um blog, onde eu posso fazer exatamente o contrário, esquecer um pouco do mundo em que vivo.

19 comentários:

  1. Eu tb nao tenho tempo para ver Tv, e qnd vejo é só tristeza, desgraça, jornalismo estilo Datena.
    Tb não gosto

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  2. Estou com você Dayane. É tanta exploração por parte da mídia que não dá pra entender como fazem de tragédias assim pauta pra disputa de audiência. Além do sofrimento, espalham terror com prováveis novos acontecimentos e possibilidades. Tá difícil!

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  3. Dayane, acho que nós todos carregamos um pouco da tua indignação.

    Vc está certa: não querer saber é diferente de não se importar...
    De alguma forma a notícia chega até nós e nos impacta quando vem e estamos todos envolvidos, no mesmo barco; o mundo é uma ilha.
    O que atinge um, atingirá logo depois o outro porque tudo é sistêmico, porque somos interligados (ainda que não se perceba), porque as coisas não acontecem isoladamente...
    Mesmo que eu não veja o jornal a má condução política, o Tsunami no Japão, os tiros no Rio de Janeiro, isso tudo me atingirá das formas mais variadas porque sou um ser de relação e vivo no mesmo mundo que estas outras pessoas. Então, é como uma gota no oceano: ela reverbera, e ainda que timidamente, e mexe com todos os outros mares

    Concordo com vc, sem comentários á imprensa marrom...

    E quero lhe dizer que a indignação e a compaixão, que do seu modo relatou a nós seus leitores, me tocou e me fez chegar bem pertinho da ternura que há no coração da Dayane, da preocupação que há, e do seu senso de justiça que não aguenta compactuar com o que não concorda.

    Seu blog dá voz ao mundo, e ás vezes, precisamos sim desses gritos

    Parabéns!

    Abraço pra ti
    Bom domingo

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  4. Olá, você está certa, eu escrevi no meu blog sobre isso, porque eu senti vontade, um tema que me irritou, mas não quero saber mais do que ocorreu ali, não quero saber a vida dele, o passado dele, quem ele conhecia, quero saber só como foi lá e pronto e isso todos já vimos e já sofremos. A família das vitimas eu nem comento. A mídia é insuportável e faz de tudo para vender uma notícia. Beijosss

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  5. Não teria mais nada a acrescentar.
    Devo dizer que concordo integralmente com tudo o que você falou.
    Em nada diminuiríamos a dor das famílias, reproduzindo a tragédia em nossos blogs.

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  6. Atualmente, em qualquer horário e em qualquer canal que ligamos a TV, acessamos um site de notícias ou até mesmo ligamos o rádio só notícias ruins se espalham. E o pior é que eles falam, falam, falam.... Sobre um só assunto. Até parece que a desgraça alheia faz-lhes bem! õ.õ
    É o mundo. O mundo infeliz em que vivemos.

    Beijinhos, :*
    Primeiro Livro :D

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  7. A alegria brilha nos olhos
    de quem sabe curtir a emoção
    de simplesmente viver...
    Viva com desposição e entusiasmo,
    fazendo o que gosta,e realizando,
    seus sonhos.

    Te desejo nessa semana,muita luz para caminhada,fé para as dificuldades amor para aquecer o coração e força para alcançar teus sonhos.

    Tenha uma linda semana bjos.

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  8. Eu acabo sabendo pelos sites informativos da internet, porque pouco vejo tv também...
    Acho importante saber, mas jamais exagerar na quantidade de informação, é sensacionalismo sim, é usar a desgraça da vida alheia para ter ibope. Alguns assuntos me interessam (terremotos por causa da minha profisssao), a chacina das crianças me comoveu, pois tenho filho, mas só me informei no primeiro dia, depois me cansei do jornalismo tabloide brasileiro...que inclusive ressaltavam a importancia de o ocorrido ter sido divulgado em redes e jornais internacionais.
    Cheguei a iniciar a faculdade de jornalismo, mas como jamais me renderia a escrever sobre aquilo que alguem ordena, nao poderia ser...nao ia parar em emprego nenhum...
    bjs Day

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  9. Flor, concordo com vc...eu tbm já me peguei irritada pra caramba com esse sensacionalismo cruel q a imprensa adora fazer em cima das tragédias..parece q quanto maior o banho de sangue mais interessante se torna para os veículos de comunicação em massa...semana retrasada só se via o pobre josé alencar na tela, agora é o massacre do rj, mês passado terremoto no japao....e o pior nao é eles noticiarem mas sim a forma q fazem isso, revoltante, sem dúvida....a dor dos outros é a audiencia deles..pois é..
    bjos

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  10. Realmente há uma exploração exagerada por parte da imprensa brasileira que não tem limites em suas coberturas em casos como esse da chacina de crianças em um colégio em Realengo no Rio de Janeiro. Eu também não sou de assistir muito noticiário jornalístico, mas na medida do possível procuro ficar informado sobre as coisas que acontecem no Brasil e no mundo. De certo modo acho que é uma forma de conhecermos um pouco a mente humana e perceber que ela é muito complexa e capaz de absolutamente tudo. Agora transformar desgraças em entretenimento para a TV é um equivoco horrível desses profissionais da telinha. Gostei do seu post, bem sincero como sempre, abraços poéticos.

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  11. Eu também nao assisto muito TV. Gosto da MTV, do Adnet e olhe lá, porque é tão pouco a minha disponibilidade para assistir TV. Porém estou de férias(Ehhh!), e nesse dia que ocorreu essa tragédia eu estava em casa e foi terrível. O dia inteiro, em todos os canais, sites, twitter falando sobre isso. Desconectei nesse dia. E o foda é que eles ainda trazem psicólogos, psiquiatras e o caramba para debater o assunto. Futuramente vão fazer um filme, podem escrever.
    A tristeza alheia é motivo de audiência e ganho por parte da imprensa hoje. Repudio essa imprensa.
    Bjus

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  12. É isso aí, a dor é inevitável, o sofrimento, opcional.Dar ibope pra coisas que nos fazem sofrer não dá. Não me importo com vida e a história dos assassinos, apenas comemoro quando morrem.
    Gosto do seu jeito rebelde.

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  13. como disse Clarice: Porque há o direito ao grito. Então eu grito.

    Isso aí. A voz do Povo não pode calar.
    Continue escrevendo, desabafando...
    é assim que se faz revolução.

    beijos,
    tamo junto (yn) :D

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  14. Fico triste com todas essas coisas acontecendo no mundo, a gte não está seguro em lugar nenhum mais! E nunca gostei do sensacionalismo, temos que nos colocar no lugar das pessoas que sofreram e ainda sofrem com isso, ajudar na medida do possível, sem tornar isso uma diversão.;

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  15. Gostei da sua opnião,
    esta certíssima

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  16. Assistir esse tipo de matérias jornalisticas é como alimentar a escuridão. O mal se alimenta do nosso medo. Também não dou ibope para isso.Quanto mais um criminoso aparece na midea, mas alimenta o sonho de outros idiótas a seguir aquele exemplo. bjs e bom fim de semana!

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  17. Dayane,você está com toda a razão.Nós fugimos de tantas coisas,mas sofremos junto com a desgraça do nosso irmão.Às vezes,fico muito indignada com tanta informação de fatos ruins.Porém a resposta quando reclamamos de algo assim é:- O povo gosta disso.Não sei até onde isto é verdade,apenas acredito pelo que leio aqui que nem todo povo gosta desta barbárie da TV.Um grande abraço!

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  18. Caramba, o que eu digo?

    Tu disse tudo. Faço minhas as tuas palavras. Também acho isso tudo uma tremenda idiotice.

    Ótimo.

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  19. Por esses e outros motivos que eu não vejo mais televisão. É muita desgraça. Beijo

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