Diário de uma vegana iniciante

Dia 01: Hoje me senti bem enojada por pensar que, ainda ontem, comi uma carne de 140g de hambúrguer. Estou pensando aqui, quanto tempo meu corpo vai demorar para se livrar de todas os resíduos daquela carne? 

Dia 02: Hoje eu senti muita fome. O dia todo. Comi normalmente, apenas me atentando a negar alimentos de origem animal. Recusei chocolate mais de uma vez. A vontade de chocolate ainda não bateu forte, eu acho que será a parte mais difícil.

Dia 03: Aqui em casa estão começando a perceber que minha nova dieta é real. Também estou pesquisando várias coisas e percebendo que o veganismo é muito mais que apenas uma dieta diferente, é um estilo de vida. Admiro muito meus amigos veganos, pois não é fácil. Agradeço por Pedro em minha vida! Não apenas por dizer que posso pedir qualquer comida que ele faz pra mim. Stephan também tá me ajudando muito com dicas e opções.

Dia 04: Pedro chegou! (outro Pedro vegano). Cozinhamos juntos, batatas com abobrinhas, cebola e cenoura assadas e macarrão alho e óleo. Todos adoraram! Ele trouxe muita coisa vegana, doces, grãos, massas...

Dia 05: Foi difícil não comer o bolo de chocolate do João! Mas o Ste tava lá pra me dar apoio. A Mel disse que eu podia comer um pedaço pois foi feito com amor. Eu também acredito que o amor faz diferença na alimentação, mas se eu abrir exceção uma vez, vou querer abrir sempre.

Dia 06: Passar um fim de semana foi complicado, porque é geralmente no fim de semana que meto o pé na jaca. Tomei café da manhã na padaria da esquina, a única opção foi café, suco e pão na chapa com azeite.

Dia 07: Uma semana hoje. Eu sinto muita fome! Como normalmente, não tenho frescura, apenas não pode ter carne, peixe, ovo, leite, queijo e etc. Nada de origem animal, e é difícil. No mercado as opções sem leite pra fazer um lanche são bem limitadas. Como fruta pra compensar. Quando preciso de leite pra misturar algo, faço com aveia e água. Como muita paçoca pra compensar a falta de doce e encontrei algumas opções de chocolate vegano (que não é muito gostoso, prefiro paçoca).

Dia 10: A vontade de comer queijo tá batendo forte. Confesso que um dia desses eu quase abri exceção, mas sei que se fizesse uma vez ia fazer sempre. Carne e leite é o mais fácil, tô meio com nojo. Mas queijo...

Dia 12: Emagreci 1kg. Achei que emagreceria mais rápido, e não que este seja o objetivo, mas eu cortei MUITA coisa que comia diariamente. Ah, sempre que posso caio de cara no pastel de palmito, batata frita, paçoca... quem disse que vegano é saudável mesmo? Ontem mesmo Pedro fez uma lasanha vegana que eu comi até ficar com azia...

(Registrando aqui pra me lembrar como foram os primeiros dias).
(Achei que ia ser bem pior).

Livre de objetos e pessoas

O ano mal começou e já tenho repertório pra um livro. Como falamos lá em casa, nossa vida daria uma série, um reality show.


No fim de janeiro eu mudei de casa. Lidar com tudo que envolve uma mudança não é uma das coisas mais fáceis. Carreto, dinheiro, caixas, novo aluguel, novas contas, nova rotina, caixas, adaptações culinárias, entender como funciona a casa (que eu já frequentava mas morar é diferente), mais caixas. 

Antes mesmo do carnaval eu já tava vivendo muitas emoções. Novos amores partiram e chegaram. Voltei a beber (já mais ou menos parei), dancei funk putaria, beijei geral, me apaixonei... foi muito intenso.

Decidi que era hora de adotar um gato. Conversei em casa, cada dia era uma justificativa diferente, (melhor adaptar a casa, melhor esperar a inspeção, melhor prever os gastos antes), melhor melhor melhor. E toda hora apareciam gatinhos pra adoção, fotos eram compartilhadas, eu chorava, pedia por favor. E assim foi durante semanas.

Até que Brisa apareceu. E a gente teve uma conversa, e enfim o bonde do Bixiga virou mãe. Gastei horrores pra ter tudo pronto pra receber a gatinha. Senti que enfim eu encontrei a gatinha certa, na hora exata. 

Então recebemos uma carta. O proprietário pediu o apartamento e deu um prazo de 30 dias pra entregá-lo "livre de objetos e pessoas". Só pensei na Brisa. Acabei de adotá-la e quero dar um lar seguro e aconchegante pra ela. Pensei em tudo, em não encontrar lugar pra seis pessoas, em não encontrar lugar que aceite gato, em me separar deles, não ter mais eles pra cuidarem da Brisa, pra cuidarmos um do outro.

Eu vivo em um meio de pessoas que tem histórias muito pesadas de preconceito, racismo, preterimento, violências, e nos encontramos em ambientes de desconstrução e lutas constantes contra esse sistema que tá reprimindo todo mundo. É importante pra mim estar perto dos meus amigos, onde me aceitam e não julgam. Sei que tenho todos os privilégios de mulher branca, mas ainda assim mulher, gorda, bissexual, que não performa feminilidade 100%, que se impõe em situações que antes se calava, que não vive uma vida padrão e normativa, que tem plena consciência disso, que escolheu ir na contra mão da sociedade e é feliz assim. Mas nenhum dia é fácil.

Em casa somos em 6 pessoas, sendo negros, gays, bissexuais, gordo, drag, mulher trans, nordestinos, pobres, homens cis que quebram padrões de gênero, mulher cis que quebra padrão de gênero. As histórias de repressão são diárias. É foda ser mulher neste mundo, é foda ser preto, é foda ser gordo, é foda ser mulher trans negra, é foda ser pobre. Isto é parte do contexto que nos une. 

E então acabou? "então a série termina assim né, com as Chiquititas se separando?".

"livre de objetos e pessoas"

Em meio a isso tudo eu tava lidando com problemas de relacionamento, com paranoias internas, minha saúde mental (e de todo mundo na real), já tava bem fragilizada. 

Depois de Heliodora eu voltei diferente. Acho que acessei coisas que precisava, mas que mexem com muito mais do que eu poderia lidar no momento. Tive uma recaída, voltei a ser medicada. Parece que esses remédios maquiam nossos sentimentos, me sinto apática, fria, sem capacidade de sentir adequadamente.

Como podem permitir que a gente tome isso e tá tudo bem?



As emoções de todos estavam exaltadas, alguns apartamentos que conseguíamos e iniciamos o processo de contrato deram errado, em meio a isso, discussões, brigas, gente querendo sair, e todos bem fodidos psicologicamente.

Até que enfim encontramos um lugar, aos 45min do 2° tempo, faltando 5 dias pra liberarmos o apê ~livre de objetos e pessoas~ e achando que não íamos dar conta de uma mudança de 6 pessoas.

Então parece que a série foi renovada pra segunda temporada. Não sem antes muitos sustos, lágrimas, planos Bs Cs e Ds, desespero e falta de esperanças. Já estamos devidamente instalados no novo apto, que é grande o suficiente pra todo mundo ter seu espaço e privacidade. Que tem uma sala enorme com janelão pra gente reunir os amigos numa quarta-feira, que tem banheira que estamos planejando estrear todos juntos e uma cozinha de patrícia com uma bancada que dá pra cozinhar os 6 ao mesmo tempo, lado a lado (Pedro está apaixonado por esta possibilidade).

Eu sei que este post foi pesado. O começo do ano inteiro foi, mas não me arrependo de ter escrito ele. Eu escrevi pra mim, em primeiro lugar, foi bom ler depois de um tempo e conseguir apontar o que precisava corrigir (na vida, no caso). Mas informo que Brisa já está vacinada e bem adaptada no novo lar. Já domina todos os espaços. Vou castrá-la esta semana. Ela é a gatinha mais mimada que você vai ter notícia. Eu garanto pra ela uma vida de gatinho plena e feliz até seu último suspiro.

Esta responsabilidade me equilibrou. Ter gato pra cuidar equilibrou todo mundo. Morar num prédio de patrícia nos colocou um freio necessário na vida loka que a gente tava vivendo. Aqui tem portaria com regras chatas de famílias tradicionais padrão e a gente precisa segui-las (a vida em sociedade nunca me pareceu tão chata). Ter saído do centro tirou nossa casa da rota de afters de festas e visitas quase todos os dias e isso nos mantém mais tranquilos e saudáveis.

Passei uma semana no Rio de Janeiro, por um ato de generosidade de um amigo carioca que tem apto lá e se dispôs a ir comigo e passear bastante (mesmo ele conhecendo e já ter visitado tudo centenas de vezes). Foi uma pausa que me fez muito bem, respirar um ar novo fora dessa cidade.

São Paulo is killing me. As vezes.

Hoje saí do hospital depois de 3 dias de internação por pneumonia. Fui pesquisar a psicossomática da pneumonia e: "cansaço da vida, irritação por ter se doado muito sem haver troca". Eu não sei se vocês acreditam nisso mas no que se refere a mim, eu vejo um ponto de partida aqui.

As coisas estão melhorando.

Mais uma dose de lítio

É noite do dia 13 de abril e eu estou sentada na cama escrevendo este texto, enquanto fumo um baseado e bebo um vinho de R$ 8,76. Já neguei convite pra 2 festas e 1 pizza e estou esperando o boy chegar. São 18h do dia 16 quando terminei este texto, ainda sem banho e com o nariz entupido, pensando como minha vida é previsível e toda semana acontece praticamente as mesmas coisas. 



- Fiquei 10 dias internado, já não aguentava mais, ainda não tô 100%. Esse ano tá sendo cabrero, já roubaram minha bike, já perdi a casa que morava, já fui preso, agora quebrei as costelas... Mas vai melhorar. 

Levantamos pra comer alguma coisa, bebi e fumei mais e nos perdemos em diálogos improváveis sobre música, o universo e tudo o mais. Amanhã vou acordar quando todo mundo tiver acabado de deitar, vou observar a Brisa brincar com os dreads dele, limpar a areia dela e tomar mais uma dose de lítio.

- Você não pode se separar deles, imagina se você perder a memória de novo ou tiver qualquer outro surto? Vocês precisam ficar juntos. 
- Esse ano tá sendo insano pra nós dois, né. Ainda bem que não somos um casal oficial. 
- O pior casal de São Paulo.

 A sexta-feira foi longa, comecei a encaixotar minhas coisas pela 2° vez este ano - e ainda estamos em abril. Recebi amigos, o pessoal chegou do rolê de ontem no começo da noite. A noite neguei convites pra mais festas, o vinho de 8 reais rendeu, tô mega chapada e bêbada. 

- oi sumida. 
- oi, eu tava pensando em você. 
Nem era verdade. 

Acendi as luzinhas, coloquei música brasileira, bebi mais, fumei mais e escrevi um pouco. Coloquei algumas camisinhas no criado mudo que fiz com uma caixa de papelão da minha última mudança. 

- A cortina baixou, as luzinhas acenderam e a música aumentou, já sei que a Day tá transando. 
- Ou seja, todo dia. 
- Ah, como se vocês não transassem!

Ele chegou, disse reparou que o meu olho tá vermelho, eu disse que to muito chapada. Ele disse que sonha com o dia em que vai me ver sóbria, eu disse que vou melhorar e ri fingindo que tá tudo sob controle.

- Mas como aconteceu? 
- Minha mente falhou, eu não sei bem, já aconteceu antes, talvez sejam os remédios, eu não consegui me lembrar como voltar pra casa. 
- Vamos colocar um chip em você. Em você e no Ciro, risos risos


Sexta a noite eu só queria dormir. Eu preciso dar um tempo, cuidar da minha saúde. Eu acho que posso tudo porque eu sou jovem, eu durmo muito pouco, trabalho pra caralho, é difícil descansar quando toda sua lista de contatos são também seus vizinhos de bairro. Eu tentei reduzir os danos parando de beber, mas tem dias que não aguento a realidade e preciso beber ficar louca de forma rápida e barata. Funciona.

- Desde que você saiu da minha vida tudo virou uma confusão e nem sei viver de outra forma, mas minha saúde - física e mental - já tá cobrando o preço. Eu nunca segui nenhum dos seus conselhos, mas era bom escutar você, a forma como você acreditava que eu tinha jeito, que podia me consertar.Eu nunca entendi como você prometeu amizade num momento em que eu precisava demais e depois apenas se foi.

Acordei ao lado de alguém que não queria. Sai pra almoçar com amigos e depois fomos pra roda de sample na Pompéia. Rolê de rua em bairro nobre sempre dá polícia, escondam bem os seus B.Os. Dá aqui, deixa eu colocar no meu sutiã, ninguém vai revistar meu sutiã. Aquele boy chegou no mesmo metrô que meus amigos, finjo que não o vi, vamos rápido, acho que ele não me viu, viu? 

Prometi ficar tranquila. Tomei aquela bala nova que tá rolando nas festas, 2cb. Que loucura cara! O que tá acontecendo? A gente não consegue parar de dar risada! Acabou a festa, paramos em um barzinho padrão na Pompéia. Olha só, a gente tá num barzinho padrão na Pompéia! Padrãozinho, golpista! Hahahaahah eu tô tranquila migo, tô de boas, hoje não vou dar vexame (enquanto rebolo até o chão num barzinho padrão na Pompéia).

Fomos parar no Lourdes, um inferninho alternativo na Consolação. Várias festas que frequentamos rola lá há algum tempo, várias histórias. Um amigo encontrou um antigo crush que tava gravando um filme lá. Eu tô sempre bem loka e tudo parece incrível demais ou realmente tudo de incrível demais acontece comigo? Você encontra ex crush com uma vida interessante enquanto eu fujo de crush viciado em pó. Cada um tem o que merece. 

- Foi no carnaval, não foi? 
- Eu não sabia que vocês moravam juntos. 
- Você também estuda na FAU? 
- Eu só vou porque preciso do dinheiro. Preciso de remédios, preciso de padê, Day me dá um lítio? 

Vamos pra casa, decidimos comprar comida no Estadão. Desvio da Roosevelt com todas as minhas forças. Eu tenho preguiça daquelas pessoas clichês, com suas roupas de brechó, artistas de teatro, cabelos coloridos, gente de humanas tocando algum instrumento que eu não tenho interesse, baseados rolando e eu percebendo o quanto eu me encaixo naqueles estereótipos. 

Saímos de casa, peço pro boy me esperar no Estadão -  "Deixei minhas coisas na sua casa, a porta tava aberta, a Brisa tava dormindo na sua cama". De lá, meus amigos arrumaram outro lugar pra ir, casa de amigo de amigo, qual a porcentagem de héteros nesse rolê? Eu tô de boa de héteros por hoje, vou pra casa com o meu. 

Domingo eu acordo sem entender nada. Abro a porta dos 3 quartos silenciosamente pra conferir todo mundo (miga eu tô tão louca, vem me conferir). Valen não volta pra casa desde quinta-feira, mando uma mensagem. São nesses dias em que a casa fica absolutamente silenciosa que eu consigo escutar minha mente, mas geralmente não é bom. 

"Você muda de personalidade não é? você me lembra a Nina do Cisne Negro".
E nunca mais me procurou. É obvio, eu fiz o cara dirigir até a minha casa as onze da noite, pra mandar ele ir embora as 2am sem nem ter dado um beijo! Vira e mexe eu me lembro da voz dele falando isso pra mim. Será que as pessoas sabem o impacto que causam nas outras?

"Mas a Nina não era esquizofrênica?"

Acabo de me lembrar que preciso me recompor de toda a loucura desses últimos 3 dias. Amanhã eu trabalho e o aluguel está atrasado. Nosso último aluguel, álias. E ainda tem mais essa, lidar com mais uma procura por apartamento, carreto, caixas, mudanças, sem dinheiro pra vacinar a gatinha. Não tem como fingir que tá tudo bem. Mesmo com uma dose maior de lítio. 

- Pra que serve esse? 
- O lítio é um estabilizador de humor, como dizia Bethania, é melhor ser feliz do que ser triste, né. 
- Kurt Cobain usava isso quando se matou. 
- Se remédios funcionassem, não existiriam suicídios entre pacientes psiquiátricos. Mas eu ainda tô aqui, não estou?

Pelo menos ainda durmo sem remédios. Quer dizer, eu praticamente só escolheria dormir na minha vida, sono é o que não me falta e mesmo assim sou a que menos dorme. Eu queria uma rotina flexível agora, resolver minhas merdas, ver minha futura casa não apenas por fotos, ir às consultas médicas, dormir bem. 

- Não deu certo de novo? 
- Pois é, o cara vai alugar o apê pra tia dele. 
- Quando foi que nossa vida se tornou este sitcom?
- Vai melhorar Day. Você precisa cuidar da sua cabeça e tudo vai ficar bem. 
- Mas toda vez que você vai embora eu penso que talvez não te veja mais. 
- A gente precisa se esforçar pra se manter vivo e isso não é estranho? 
- Eu acreditava que tudo ia ficar bem quando só eu chorava, mas agora você também chora. 
- Eu tô realmente muito perdido.

Amanhã é segunda-feira e a gente vai cuidar das responsabilidades. Contas, novo apê, trabalho. E tem mais um feriado na sexta, mais uma vez o ciclo vai se repetir, festas, casa cheia, eu prometendo nunca mais beber, percebendo as 5am do sábado o quão cansada eu tô da minha vida medíocre e clichê, só pra depois olhar em volta pra cada rosto familiar e perceber o quanto eu amo e sou amada, apesar de tudo. Sigamos.

Voodostock em Heliodora - MG

Há muito tempo eu queria ir para o meio do mato me desconectar do mundo e me conectar com a natureza. Na chegada, montando a barraca no escuro a 1 da manhã, com aranhas pulando por cima das coisas e insetos me picando, eu já queria ir embora. Mas no fim do primeiro dia eu já deitava na grama e desfrutava da gostosa sensação do insetos passeando pelo meu corpo.

Você entende que a natureza não vai te fazer nenhum mal. É você quem está invadindo o espaço dela, é você quem está em cima da casa daqueles bichos. Você respeita a natureza e ela não te fará mal. 

A música o tempo todo tocando nos mantinha em um estado alterado de consciência. Parecia um transe 24hs por dia, do qual ninguém queria mais sair. A gente era capaz de ficar horas sentado na beira da piscina em estado de contemplação, sem conversar. Fumar um beck parecia que puxava toda a brisa das drogas que usei há tempos atrás e me mantinha chapada por horas. Sentir a natureza pulsando, respirando junto com você.

Quando eu deitava e fechava os olhos, podia sentir essa força e nas minhas viagens eu tinha visões claras e consciência total de que eu era uma partícula no universo. Quando eu me conectava muito com a música eu me fundia com a mãe natureza. Uma experiência muito difícil de alcançar morando na cidade e muito mais fácil estando under the influence.

Na minha primeira visita a cachoeira eu senti medo dela. Muito alta, queda pesada, me senti um grão de areia. Voltei, sentei na grama, tomei um ácido e ali permaneci até o fim da tarde. Ouvi uma voz de fada cantando gemidos desconexos ao ritmo da música. Era uma artista gringa que minutos antes rodava seu bambolê nos mantendo hipnotizados. De repente alguém assobiava ritmadamente dando um tom a mais à música instrumental. Grupos se reuniam na grama, conversas, danças, beijos, gentilezas, abraços, cores. As árvores eram mais coloridas, a grama era mais verde. As pessoas em volta sorriam. Eu estava onde deveria estar. Por favor, preciso me lembrar deste momento.

Meus amigos aos poucos foram se juntando a mim. Voltando da cachoeira, se recompondo. A tarde caiu e começou a esfriar. Descemos para tomar banho. Os chuveiros eram a céu aberto a alguns metros do acampamento, mesmo assim alguma pessoas montaram suas barracas bem ao lado. Ok, vou tomar banho de calcinha. Bom, ta escurecendo, muitos tomam banho pelado, a gente tá na Voodoohop, a "festa dos pelados", como dizem por aí... por que não? Tomamos um banho pelados a céu aberto mais gelado das nossas vidas. "Preciso guardar este momento".

A noite caiu, a música aumentou, um amigo me puxou correndo, "você vai gostar disso". Alguém fazia uma performance que eu não consigo explicar. Sentamos na grama, esperando a qualquer momento aquela pessoa virar uma águia e sair voando. Usando o próprio corpo como tela para uma projeção de imagens, que se misturavam com uma espécie de asa que ele girava. "Preciso guardar este momento, preciso me lembrar depois".

Desci pra área da piscina. Deitei num lounge com outros amigos, fumamos um, cochilei. Me levantei e olhei em volta. A iluminação preparada para deixar as árvores com um aspecto de 3d, com o movimento do vento, era mágico. Projeções em outras árvores, cores, sonhos. Thomas Haferlach começou seu set, e a pista transcendeu. 

Fui pra barraca. 

No meio da noite acordei com um DJ mixando a música "because" dos Beatles. Me lembrei da cena do filme "Across the Universe", quando eles cantam deitados na grama. Quis levantar e repetir a cena, mas o cansaço era maior. Horas depois acordei com uma do Nômade Orquestra. Nômade é uma das minhas bandas favoritas. "Preciso me lembrar deste momento". No dia seguinte ouvi histórias sobre como a pista daquela noite estava ritualística. Meu amigo disse: "em um momento eu tava dançando e senti que não era eu quem estava ali".

Decido subir a cachoeira. Encontrei meus amigos de novo. Dessa vez, tomei coragem e fui na nascente. Entrei na água gelada, ainda com medo. Um amigo que amo chegou de São Paulo e eu fiquei muito feliz. Lembrei muito de uma amiga, que com certeza iria energizar suas pedras e nadar pelada. Lembrei de outro amigo, que já partiu de volta pra sua cidade. Ele ia amar ter feito esta viagem comigo. Ficamos por ali e fizemos planos de subir o pasto das vacas pra caçar cogumelos, mas não choveu, portanto decidimos que não teria nenhum.

Desci, tomei outro ácido e fui pra piscina. A roda de sample é uma roda onde vários Djs tocam juntos no improviso e é sempre delicioso de assistir. Calefação Tropicaos começou a tocar, a galera animada, sol queimando, minhas amigas já sem o biquíni. Tudo estava como tinha que estar. Um cachorro passeava por ali, distribuía amor pra todo mundo. Momentos.

A noite chegou, fui dar uma volta. A geodésica já estava montada, mas eu não entrei, não senti que precisava. Já tinha energia demais rolando em mim. 

Fui pra pista esperar o R Vicenzo tocar. O Vicenzo é um dos meus Djs favoritos, com uma psicodelia brasileira, ele mistura algumas letras de MPB, batidas de funk, rap, cumbia entre outros. Tudo estava lindo. Os visuais, as projeções, ao longe uma projeção na Pedra do Macaco, poucos notaram. Meu amigo disse "eu tô aqui há dias, a gente fez a montagem da festa todo mundo muito louco". Deu certo. Um momento todas as luzes apagaram, não lembro mais qual das noites isso aconteceu, eu tava muito chapada na hora e tomei uma consciência absurda de onde eu estava. No chão, a única luz era de uma lagarta linda, uma cena que me lembrou do filme "As aventuras de Pi".

Thomas, idealizador da Voodoohop e o cara que iniciou a cena de festas de ruas e ocupações que eu participo hoje, andava por ali, com seu olhar doce e sorrindo pra todos os lados. Lembro de querer sentir o que ele estava sentindo, ver sua festa ainda funcionar mesmo depois de anos e depois de ter saído do Brasil. A Voodoo vai voltar, é o que escuto há uns 6 meses.  Ia chegar o momento certo de agradecê-lo por tudo. Me senti feliz, lembrei do bar do Netão e nunca imaginar que encontraria tudo novo e diferente em 2014 e nem que eu estaria em Heliodora com eles em 2017. Eu vou agradecê-lo quando estiver mais sóbria.

A Dayane de São Paulo não estava ali, nem lembrava que existia uma vida fora dali. Sem bateria no celular, sem sinal de internet, sem notícias de fora. Será que o Temer já caiu? Se não fossem pelos compromissos aqui, eu ficaria dias lá. Não precisava de nada. A gente se olhava e repetia,"eu não preciso de mais nada"

Desci pra desmontar minha barraca, com a ajuda dos amigos que tem mais experiência do que eu em acampar. Dessa vez não tive medo e nenhuma aranha apareceu. Entreguei os ilícitos que sobraram pros meninos, "o que vem pra Heliodora não sai de Heliodora". Fui pegar a nave de volta. Ouvi histórias sobre aqueles dias, coisas engraçadas, momentos mágicos, imprevistos, etc. 

De volta a São Paulo ainda não desconectei de lá. Você está muito introspectiva, eles dizem. Meu roommate chegou ontem a noite, voltando a falar com os amigos que voltaram antes, ainda recebendo notícias e fotos dos que ficaram por lá. Como disse um amigo, "Heliodora é um investimento em saúde mental". Precisamos voltar. Precisamos.












Roda de sample


Pandora.

Nível de confiança: você pode me ver dormindo

Hoje eu acordei com uma festa dentro do meu apto. Sim, uma quinta-feira normal por aqui. Lavei o rosto e fui pro quarto ao lado abraçar todo mundo.

Stephan diz: amiga, não queríamos te acordar, mas eu precisava pegar uma coisa no seu quarto. Ciro foi lá e pegou, tudo bem?
Ciro diz: amiga, no caso de você estar dormindo e a gente precisar de alguma coisa, você prefere que te acorde ou que procure e pegue?
Eu: obviamente procure e pegue.
Pedro diz: a gente mora junto por um motivo.


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1. Divida sua vida com pessoas que você confie o suficiente pra entrarem/estarem no seu quarto enquanto você dorme.
2. Eu acredito que dormindo é o momento de maior vulnerabilidade de uma pessoa, e tenho dezenas de travas quanto a isso. 

Este texto não é sobre amor de carnaval

Eu me arrependo muito do que eu fiz.

O relacionamento com o F não me trouxe nada de bom. Pelo contrário. Eu acho que ele sabia o quanto eu era vulnerável e todos os meus problemas de auto estima e usava isso pra me dominar. Não era problema dele, ele disse. Ele sempre se colocava como tão superior, tinha algumas atitudes que revelavam um abusador psicológico em potencial, não sei se ele sabia o que estava fazendo. Eu passei a maior parte do tempo sentindo coisas negativas, e quando tinha a chance de transar com ele eu não perdia, pois sabia que ia ser bom. Era uma forma de compensar tudo que eu sentia de ruim. 

- Era a única coisa boa.

Eu passei a maior parte do tempo apaixonada por outras pessoas e ele também, afinal, tinha uma namorada. Eu não acho que existia equivalência nos sentimentos - eu acho que ele fingia muito bem. Só amando muito pra ficar com um cara difícil como ele. Ele mentia e caia em contradição muito facilmente. Eu pensava, será que ele é burro ou é tão esperto e está me testando? 

Será que as pessoas sabem o impacto que causam nas outras?

É fácil se arrepender quando as coisas não dão certo, né. Mas eu me arrependi quando as coisas ainda estavam bem. A última vez que transamos eu já estava arrependida, mas já tinha feito tantas vezes que achei que uma vez mais não faria diferença. Fez. Porque foi muito bom. Como eu poderia me livrar daquilo?

Eu também mentia. As vezes eu dizia sentir saudades mas só as vezes era real. Eu não sei porque tava mantendo aquilo como se fosse tão relevante. Discussões longas e calorosas, eu ficava mal por horas. Era muito confuso o que eu sentia. Mas eu tinha muito carinho por ele e acreditei numa amizade que nunca existiu.

Ela parece uma mina muito legal. Muitas coisas que ela pensa - que eu sei por causa do facebook - vão de encontro com o que eu penso e acredito. Seriamos ótimas amigas. Essa identificação com ela me fez me arrepender de tudo mesmo sabendo que eu devia minha lealdade a ele e não à ela. Era com ele que existiu alguma coisa e não com ela. Por outro lado, ela é uma mulher e eu nunca ficava "do lado" de um homem quando tem uma mulher na jogada.

Mas não pensava nisso. O prazer falava mais alto. Sim, sou essa pessoa podre. Pensam que eu, sorrindo assim fofa com todo mundo, sou incapaz de ser perversa? Eu não sou nada santa. 

Dai que ele começou a namorar outra pessoa. Mas um dia senti saudade dele, fui atrás. Ele tava em outro momento. Eu insisti no mesmo erro da primeira vez, mesmo sabendo que ia me arrepender de novo. Mas eu já disse que não sou santa, e eu gostava dele pra caralho. Eu na sei o porquê faço isso comigo.

Passou, mas agora eu quis falar sobre. Não que ele tenha toda essa importância. Já escrevi sobre um morador de rua que fez poesia pra mim, já escrevi sobre pessoas que eu cruzei no ônibus. Foi só mais um cara com sexo bom. 

- Não que seja assim tão importante.

Só que esse carnaval eu me passei demais. Aconteceu tanta coisa. Eu me apaixonei de novo, assim, num segundo. Eu seria monogâmica de novo por aquele homem. Talvez. Preciso de mais do que um beijo em meio às bombas na praça Roosevelt, mas eu mudaria muita coisa pra estar com ele agora. 

- Eu nem sei o nome dele.

E daí que acordei pensando sobre F, sobre algumas coisas que ele me falou e apaguei da mente e que eu não teria motivo algum pra me lembrar agora. Sobre coisas que compartilhei com ele. Aquela vez que eu chorei e como eu raramente choro na frente das pessoas. Sobre como a intimidade é uma merda e aconteceu tão rápido. Pensando sobre a ex dele, sentindo pena, sentindo pena de mim, caindo na real que eu perdi tempo e dignidade, que ele arriscava minha saúde e a dela e isso é gravíssimo. Tenho minha culpa sim, que eu ainda consigo justificar com "emocionalmente instável", as crises me faziam perder a noção do perigo e do que é moralmente certo e errado, e os remédios que deviam equilibrar isso me deixavam com uma líbido exacerbada.

- Acho que isso é coisa de Vênus retrógrada.

O meu amor de carnaval parece muito com F. Eu não sei se quero me apaixonar por alguém que me lembre alguém que me fez tão mal. Em fisionomia, em atitude, em circunstâncias. Eu não acho que foi a toa que ele cruzou meu caminho no meio de uma correria naquela noite. E não acho que as bombas terem separado a gente tenha sido acaso.

Mas este texto não é sobre um amor de carnaval. Ou sobre amores, ou sobre carnavais. São só histórias que existiram e querem sair agora. Precisam. Porque Vênus retrógrada tá me dizendo alguma coisa mesmo que eu saiba que os pontos finais já foram colocados. Só precisava escrever.

Ah, me bloquear foi a coisa mais honesta que F fez por mim. Um dia espero poder agradecê-lo.

Eu quero que você saiba que eu me importo

Quando eu te perguntar se está tudo bem, eu não quero que você responda que sim no automático. Eu quero saber que está tudo bem porque realmente está. Quero saber o que está bem, e se não está, quero saber porquê não está.

Eu não quero construir uma relação vazia com você, distante e de aparências. Eu quero que a gente ainda se importe quando mudarmos de emprego, quando você deixar de frequentar aquele bar, quando eu mudar de cidade. Eu quero sentar com você na praça e ouvir você reclamar da vida até sugar minhas energias. Eu quero ser a pessoa que você pensa primeiro quando precisa falar com alguém.

Quando eu te olho do outro lado da pista e fico sorrindo que nem boba porque estou muito grata pela sua existência, e nossos olhares se encontram e você sorri de volta... Saiba que nesse momento eu quero que você sinta o quanto eu me importo. Eu estou lamentando de verdade por todas as vezes que você sofreu, e eu desejo muito forte neste momento que você nunca mais se sinta daquela forma. .

Eu sei que eu insisto muito pra saber de você, como estão as coisas. Você sempre diz que tá tudo bem e depois eu sei, por meio de outras pessoas, que nem tudo está bem. Eu insisto porque eu quero ouvir de você, eu quero saber o que está acontecendo. Eu perdi as contas de quantas vezes te falei "deixa eu te ajudar". Eu me importo de verdade com você.


Toda vez que eu apareço com meu "papo estranho" e você diz "lá vem você com esses papos estranhos de novo", é porque eu não consigo de verdade segurar o que sinto quando tenho tantas coisas pra te dizer e não consigo digitar. Não é que eu tenha outras prioridades, as vezes eu estou só jogada na cama mesmo sem conseguir fazer mais nada e não sou capaz de organizar meus pensamentos pra desenvolver uma conversa com você. Na minha ânsia de que você saiba que eu tô ali, só não sou capaz de falar no momento é que eu escrevo coisas do tipo "agora não posso falar, mas eu sou muito feliz de ter encontrado você nessa vida".

É uma forma estranha de dizer que me importo mesmo quando o corpo e as circunstâncias me impossibilitam de demonstrar.



Sensações cotidianas inexplicáveis 2

Lembrar de alguém que já passou pela sua vida, que não faz mais parte. Lembrar de algo tão específico sobre esta pessoa, que chega a sentir de novo os motivos pelos quais você a amou. Sentir o impulso repentino de procurar saber dela, mandar uma mensagem, fazer uma ligação. E tão de repente quanto chegou, esta sensação vai se desfazendo, indo pra longe até que a pessoa se torne novamente só mais alguém aleatório.

Como se chama esta sensação?





Morando sozinha, ano 1

Em abril de 2016 eu decidi sair de casa e ir morar sozinha. Como quase tudo na minha vida, eu decidi DO NADA, em uma semana arrumei o lugar, encaixotei minhas coisas e parti. Me vi sozinha em meio á dezenas de caixas em um quarto de 10m2, longe de casa.

Quase tudo que eu imaginei que faria quando saísse de casa aconteceu de forma diferente. Eu imaginava fazer compras, cozinhar, receber amigos no fim de semana, trazer vários crush, ter gato, caminhar no minhocão (moro do lado), fazer academia...

Na realidade eu peço comida pronta quase todas as noites, eu não adotei um gato (pois divido a casa com 4 meninos e aprendi que eles não são obrigados a criar filho que não é deles), raramente meus amigos vem pra cá (eu que acabo sempre indo pros fervos na casa deles), não tenho tantos crushes assim pra ficar esquentando cama e na real, o que eu mais gosto mesmo é de chegar e largar minha roupa no chão, ascender meu beck e ter minha cama t.o.d.i.n.h.a pra mim.

Aprendi que sempre vai rolar muitas perguntas sobre sair de casa, que tem muita gente de 20 e poucos tentando sair de casa também, que vão te pedir umas dicas e dar outras também. Que muitas pessoas estão na mesma que você, sem condições de comprar casa ou pagar aluguel sozinhas, vão dividir com outras pessoas. E isso é bem ok. Me acostumei com a cara de espanto das pessoas quando eu falo que não cozinho, fiz apenas um arroz (ficou horrível), nunca fiz feijão ou carne, que minha alimentação é basicamente pizza, lasanha pronta e nuggets. Sempre vai rolar uma desconfiança quando comento que moro com 4 homens ("deve ser uma bagunça né?", "todo mundo fica pelado?", "eles são muito bagunceiros?", "cinco pessoas numa casa, não é apertado"?)

Mas também, posso ir e voltar de qualquer lugar praticamente a qualquer hora, pois moro numa região central e mesmo que não tenha mais metrô/ônibus, ou alguém pra me trazer, existe Uber e Uber é ó, muito amor sim. Sem contar chegar de madrugada sem ninguém no seu pé, fiscalizando. Trazer alguém se eu quiser. Hospedar amigos por uns dias. Ouvir música a vontade no meu quarto, ficar pelada a vontade, limpar o quarto quando eu bem quiser (nas áreas comuns ainda rola um rodízio por questões de boa convivência e higiene mesmo).

Minha vida mudou muito de abril/2016 pra cá. Eu fui muito feliz nessa casa enorme, nesse quarto lindo e com essas pessoas sensacionais. E agora estou fechando este ciclo. Estou partindo, da minha primeira casinha, minha primeira experiência longe da asa de um adulto (minha mãe). Estou indo para meu segundo lar nessa aventura de viver longe de casa. Não sei ainda como será, mas a vibe é totalmente diferente daqui. Vou morar com outros 4 homens. Dessa vez, 4 homens que já estão na minha vida, que já amo. 

É muito louco pensar no quanto a minha vida mudou nesses 9 meses, no tanto de coisa nova que aprendi, nas centenas de pessoas que conheci, no tanto que me conheci. Fazer as coisas do meu jeito, me virando com o que tinha. Decorando com pouco e vivendo sem luxos. Aprendendo que luxos não importam.










Passo horas olhando pro céu e pros prédios, olhando o vento balançar a árvore do nosso quintal. Silêncio. Música. Vento. Calor. Chuva. Momentos.

Vou sentir falta desse ninho! Sou muito grata. Essa cidade tem muitos momentos de dor mas tem também surpresas maravilhosas. Estou pronta para construir mais histórias.

Nem todo carnaval tem seu fim 2

6. Tem aquela carta que foi entregue pelo primo dele, no dia em que ele já não estava mais na escola. Eu ainda a tenho guardada, mas me lembro das últimas palavras de cabeça: "... porque os amigos de verdade nunca vão embora da gente". Nós só tínhamos 16.

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7. Tem eu mostrando pros amigos que a melhor forma de esconder um baseado é entre os seios. Das vantagens de ter peitão. Tem a gente bebendo até cair e rolar no meio da rua. Tem amiga segurando o cabelo da outra quando isso ainda nem era prova de amizade.


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8. E a noite está caindo naquele sítio, tá ficando frio lá fora mas a adrenalina não deixa nosso corpo esfriar. Foram quase três dias compartilhando nossas vidas, isolados do mundo. E a brasa tá quente lá fora, esperando a gente atravessá-la. Tem a gente atravessando sem se queimar e tem pessoas do bem pra dar força e nos abraçar do outro lado.


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9. Tem aqueles dias que não acabam e a gente sai na escada de emergência do 34° andar. A gente adora fotografar e descobrir novos pontos de vista lindos do Centro, além de citar nossas esquinas e prédios favoritos. Tem as conversas eternas e os conselhos sentados naquela escada. 

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10. Aquela sala enorme, com janelas de fora a fora na parede do fundo. O vento entrando, as conversas paralelas, a fumaça, as bebidas, o incenso, os carinhos, as pessoas que chegam e saem. Uma verdadeira comunidade em 20m².

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11.Tem o nosso último passeio. Tem ele dizendo que ficaria se eu pedisse. Tem eu explicando o porquê dele não poder ficar. Tem o último abraço e eu prometendo que nunca vou chorar. Tem a promessa de que a gente vai se esforçar pra se reencontrar neste mundo. Em algum lugar.



*Continua... 

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Vou voltar aos poucos! Estou animada para voltar a escrever no blog! 
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