Como eu economizo na Internet

Todo mundo sabe que sou uma pessoa mão aberta quando tenho dinheiro pra gastar né... ultimamente a grana tá curta e eu tô me tornando o que mais temia: a tia do cupom. 

O cumpom no caso pode ser um site, um app ou escolher o dia de promoção no supermercado... tudo é válido e eu me tornei este tipo de adulto, o que pesquisa antes e compara preços (mais ou menos, ainda tenho preguiça de andar muito). 

Mas eu já me sinto com autonomia o suficiente pra dar dicas de economia na internet! Vamos lá:


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1. Comprar usado no Enjoei



Há alguns anos, 90% das roupas que uso são de brechó, onde compro presencialmente. Mas tem o Enjoei, um site de desapegos dos mais diversos itens. Porém, é uma faca de dois gumes... algumas coisas realmente baratas e outras mais caras do que na loja (tem blogueirinha que se acha stylist né, me ajuda!)

Mas dá para encontrar coisas legais por lá! Já comprei um óculos "caro" por precinho e um Vans original por quase $100 mais barato que na loja. Sem contar que você encontra diversas coisas que saíram de linha (e alguns vendedores aproveitam pra meter a faca, mas pra quem pode pagar e quer né). Tem que ter paciência na pesquisa, mas os filtros fazem todo o trabalho pesado!

Site: Enjoei


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2. Mercado Livre



Sempre rola uns precinhos, coisas novas e usadas. A reputação e nota do vendedor são ferramentas que facilitam e aumentam a segurança na hora de comprar; nunca tive problema nenhum. Eles trabalham com um sistema de pontuação onde quanto mais você compra / vende, mais pontos ganha e com isso alguns benefícios. Já me livrei de pagar frete, por exemplo.

Site: Mercado Livre


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3. Cupomvalido



Eu sempre duvidei destes sites de cumpons de desconto mas nunca tinha parado para testar. Conheci o CupomVálido, que tem parceria com diversas lojas dos mais variados seguimentos. Procurei um livro que eu estava atrás mas que sempre esgotava, além de que era caro. Peguei um desconto do CupomVálido de 25% na Livraria Cultura e consegui o livro que procurava, e como o desconto compensou, levei mais um! hehe 

E querem saber um plus que descobri? Tem CupomVálido para o Mercado Livre e Enjoei! Você quer Crossover @?

Site: Cupom Válido

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4. App Pão de Açúcar



Bem, eu odeio morar num bairro de ryca sem ter conta bancária compatível. Eu descia 4 quadras pra comprar no DIA porque os preços do Pão de Açúcar eram impraticáveis. Eram. Descobri o App Cliente Mais onde você pode ativar ofertas de 10 a 35% de desconto e com isso o preço fica equivalente ou até mais barato! No App tem também as metas do mês em compras, atingindo você resgata vouchers que vão de corridas 99 a desconto em compras. Vale a pena!


Baixe o App no Google Play ou na Aple Store.


Bem, depois falo sobre comprar da China, ainda não tenho muita experiência.





BlackFish - Documentário mostra a real vida das Orcas do Sea World

Os comerciais do Sea World são feitos para fazer você acreditar que ali é um mundo de fantasia onde os animais vivem em plena felicidade 24hs por dia. Bem tratadas, as Orcas vivem de 30-35 anos em cativeiro, muito mais do que na natureza. Elas não trabalham, elas se divertem a cada espetáculo. Saúdam o público e os treinadores, demonstram afeto, fazem graça e claramente se alegram a cada vibração da platéia. As Orcas amam o que fazem e a seus treinadores, incapazes de atacar um ser humano, elas estão ali porque querem.

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Dawn Bancheau

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Dawn e Tilikum


Em fevereiro de 2010, Dawn Brancheau foi morta pela Orca macho, Tilikum, durante uma apresentação no Sea World Orlando. O parque tentou abafar o caso, tentou jogar a culpa na treinadora, que usava um rabo de cavalo que teria facilitado a Orca puxá-la para baixo, tentou até dizer que Tilikum estava brincando com a treinadora e a afogou sem querer.

Mas Tilikum sabia o que estava fazendo, Dawn sofreu muito antes de morrer, com várias fraturas pelo corpo, cortes e seu braço esquerdo arrancado.

O que o parque tentou abafar também, é que esta não foi a primeira vez que Tilikum matou um treinador. Há dois outros casos de morte atribuídos a Orca (isso é o que se sabe). Além de diversos outras tentativas protagonizados por outras Orcas dos parques.


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Os Cetáceos

Os cetáceos são animais muito semelhantes aos seres humanos. Vivem em uma sociedade matriarcal, tão ou até mais bem estruturadas do que as nossas. As Orcas nadam cerca de 160km por dia e vivem até 100 anos na natureza. Vivem em família, nunca se separam ou abandonam umas as outras. Cada comunidade de Orcas tem seu próprio sistema de linguagem e comunicação, sendo que tirar um desses animais de sua família e colocá-lo junto com outro de outra família, é o mesmo que tirar você da sua família, jogar numa alemã e dizer "a sua vida é isso agora, se vira". Isso é basicamente o que o Sea World faz. E isso é apenas o começo.

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"Foi a pior coisa que eu já fiz na minha vida"

Um belo dia um grupo de humanos teve a brilhante ideia de tirar uma Orca de seu habitat natural e jogar em uma piscina, colocar uma pessoa para treiná-la e ver no que dá. Um caçador de Orcas que participou desta primeira investida conta como tudo ocorreu. Ele chorava quando, ao capturarem uma Orca filhote, as outras da família podendo ir embora, permaneceram em volta o tempo todo. Nunca a abandonaram. Aquele caçador jamais se esqueceu e nunca parou de se culpar pelo que fez. "Foi a pior coisa que eu já fiz na minha vida."

Ex-treinadores contam como entraram na profissão acreditando viverem um sonho, o melhor emprego do mundo. Conforme entendiam o funcionamento daqueles animais, percebiam a gravidade do que estavam fazendo. As Orcas, que são animais que chegam a 9 metros de comprimento e nadam 160km por dia, ficavam trancadas durante a noite em piscinas de 30x15 metros e 9 de profundidade, no escuro, sem nenhum estímulo. Eram privadas de comida, pois a comida é o estímulo para obedecerem aos comandos dos treinadores. Elas trabalham todos os dias da semana, e a noite voltam ao seu tanque de confinamento. 

Quando você está na plateia com sua família aguardando o esperado show das Orcas, saiba que ao abrir o tanque, aquele animal estava trancado em um lugar com apenas o dobro de seu tamanho, as vezes mais de uma Orca no mesmo tanque, e sai de lá morrendo de fome. Ele sabe que se fizer o que precisa ser feito, vai ter comida. Você acha certo financiar este tipo de sofrimento?

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Katina e Kalina


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Katina e Kalina

Katina é uma Orca de Sea World San Diego e deu a luz à alguns filhotes lá. Sua primeira cria foi Kalina, com quem viveu por 5 anos. Katina e Kalina formavam uma dupla incrível e dinâmica, se davam muito bem e viviam em completa harmonia. Perto de completar 5 anos, Kalina foi retirada de sua mãe e levada ao Sea World Ohio. Katina gritou e chorou por dias. Se isolou em um canto da piscina e sofreu as dores da separação de sua única filha. Especialistas em comportamento das Orcas foram chamados, constataram que Katina estava emitindo um chamado de longa distância, ela estava procurando Kalina.

Se você consegue saber que este é o tipo de sofrimento que estes animais são submetidos e ainda achar que tá tudo bem, você tem sérios problemas de caráter.


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A história de Tilikum

Tilikum foi uma Orca macho capturada nos mares da Islândia, com apenas 2 anos de idade. Foi o maior mamífero a viver em cativeiro e maior atração do Sea World Orlando. 

Durante muito tempo, Tilikum foi deixado em um tanque com outras duas Orcas fêmeas dominantes, e apanhava todos os dias. Sem ter pra onde fugir, ele vivia com toda a cara e corpo coberto de arranhões. Com humanos, Tilikum era a Orca mais afetiva e carismática. Amava seus treinadores e fazia tudo para agradar e se sair bem em seu show.

A treinadora Dawn Brancheau foi a 3° pessoa morta por Tilikum. Claramente estressada e infeliz, a Orca demonstrou seu descontentamento da pior forma possível. Talvez qualquer um de nós enlouqueceria se tivéssemos sido separados de nossas mães e jogados em uma sala com o dobro do nosso tamanho com outras pessoas dominantes que nos batessem todos os dias. Talvez.

Tilikum morreu em janeiro de 2010, aos 36 anos de idade. Anos antes de morrer ele foi tirado de atividade e em alguns dias, chegava a ficar horas parado no mesmo lugar da piscina, imóvel.

Tilikum não foi um assassino cruel, foi a maior vítima de todas. Não existem registros de ataques de Orcas a seres humanos na natureza, do contrário, estes animais são muito mais evoluídos que os seres humanos e estão aqui para nos auxiliar, desde que, claro, não os escravizemos. Eu sinto muito pela vida das 3 pessoas que morreram mas me surpreende que tenham sido apenas 3.

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Seres Intergaláticos

Cetáceos são seres da Constelação de Sirius B, que descendem dos Fundadores, primeiros seres fragmentados da consciência do todo (você pode chamar de Deus), que deram origem à humanidade e todas as formas de vida. Os seres de Sirius, não se identificando com a forma e energia da humanidade, escolheram encarnar em seres terrenos que mais se assemelhavam à sua frequência energética: Golfinhos, Orcas e Baleias.


Estes animais movimentam uma grande energia em escala global, a energia dos oceanos. Sua existência é extremamente benéfica e necessária ao equilíbrio da vida na terra, sem contar que são seres que estão evoluindo da 3° à 5° dimensão junto com a humanidade.

A forma como estes animais vivem e interagem em grupos é fascinante. Foi descoberto uma área no cérebro deles que não existe no cérebro humano. Eles estão realmente a um passo a nossa frente na evolução e o campo energético que criam em bando é altamente benéfico ao planeta e à humanidade. Tente observar os pulos dos Golfinhos e Baleias na natureza e me diga se você não sente algo bom.



A origem Siriana dos cetáceos não justifica que devemos dar a eles um melhor tratamento. Devemos dar a todos os animais um melhor tratamento, pois eles estão dividindo a terra com a gente por um motivo, cada espécie tem seu papel único e importante na existência. A humanidade não merece os animais. Não temos o direito de escravizá-los, de comê-los, usá-los para quaisquer fins de trabalho ou entretenimento.

Os animais não estão aqupara nos servir
Os animais não estão aqupara nos servir.
Os animais não estão aqupara nos servir.

A humanidade tem muito o que evoluir e aprender que não estamos sozinhos no Universo e não somos melhor do que qualquer outro ser vivo. 

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Sea World

Após a repercussão do documentário BlackFish, o Sea World "melhorou" a condição de vida das Orcas e Golfinhos nos parques e também parou a criação destes. Atualmente os parques possuem suas 22 últimas Orcas em cativeiro.

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Nada que for feito a partir de então se o suficiente parreparar a divida que a humanidade tem com estes animais - e todos os outros. Eu nunca deixo de pedir perdão e sei que nunca se o suficiente. Os animais não estão aqupara nos servir.

A lenda da autoaceitação

Bateu a onda do empoderamento.

Assim, não que eu não ache importante... só acho que pouquíssimas pessoas mulheres r e a l m e n t e  aprenderam a se aceitar como são.

Acredito que exista muito mais a consciência de que elas precisam se aceitar, de que podem e devem ser empoderadas, porque muitas mulheres lutaram pra que a gente tenha essa liberdade hoje e etc, do que uma real consciência de quem você é, e aceitação disso.

Que você não precisa de depilação, que você não precisa de maquiagem, que você não precisa acordar linda, que seu corpão gordo é maravilhoso, que é ok e é lindo envelhecer e que você precisa aceitar o seu cabelo branco sim.

Só que você não precisa.

É difícil demais passar a sua vida inteira acreditando que o seu biotipo é feio, que você nunca vai ser magra o suficiente, que seu cabelo não é bonito igual do comercial da TV, que sua pele não é lisa o suficiente, que sua cor não é a cor do verão, o que não significa que se você for negra estará imune, porque mulheres negras também precisam estar dentro de um padrão aceitável de negra (a mulata exportação). Qualquer coisa fora disso e você já não e adequada.

Então de repente começa a onda do empoderamento e você é cada vez mais encorajada a se aceitar do jeitinho que você é.

Só que isso é muito lindo online

Todo mundo diz que gordo é lindo, mas na balada ninguém quer pegar o gordo.

É lindo ser negro, desde que você não seja um.

Todo adolescente quer ser chavoso, mas moram em condomínio e usam Iphone.

Os caras são desconstruidões na internet, dizem que mina pode tudo, discutem com o colega machista nos grupos, porque """""nem todo homem""""... mas as estatísticas de violência contra a mulher não estão diminuindo.

Ou seja.

Todo mundo tem o discurso correto na ponta da língua na internet. Todo mundo enche a galera das ciências sociais de orgulho nos debates online. Mas na vida real as coisas não estão mudando. No almoço de família ninguém se impõe. Tá todo mundo de dieta porque o verão está chegando, seja pra perde 2kg ou pra perder 5kg. 

Porque é lindo ser gordo desde que seja com a vizinha, com a amiga gorda empoderada. Enquanto você... tá sempre achando que vai ficar mais bonita se perder 2kg.

Me aceito 100% como sou hoje? Não, não mesmo. Melhorou muito, mas tá longe de ser o ideal.

Mas hoje eu entendo que não é culpa minha. Por mais que eu tente mudar a minha mente, o mundo está o tempo todo me dizendo que é mentira. Vocês mentem.


Por que eu parei de ver filmes / ler livros?

Quem acompanha este blog há alguns anos sabe como eu adorava escrever sobre livros e filmes. Até os primeiros amigos / seguidores do meu instagram estavam acostumados a ver muitos livros e muito Arthur. Mas isso mudou há uns 3 anos.

Não foi algo que aconteceu e me fez parar de ver filmes ou ler livros. Foi só o meu foco que mudou. Antes eu era muito caseira, namorava, tinha tempo de ler (quase 2 horas pra chegar ao trabalho e voltar pra casa todos os dias ajudava muito). Quando terminei o namoro e me mudei para o centro, muita coisa mudou junto na na minha vida.

Continuei trabalhando bastante, mas agora eu chego em casa em 20 min. As vezes eu vou caminhando, escutando música, chego em casa em 50 min. É uma delícia. Tenho a noite toda disponível, mas ficava em casa com amigos, saia pra comer, perdia (ainda perco) um bom tempo cuidando dos gatos (ração, areia, escovar, carinho, brincar), e passei a me interessar mais em ver vídeos no youtube do que me dedicar a pelo menos 2 horas de filme.

Finais de semana eram dias em que completamente eu dedicava ao lazer. Com festas e eventos todo fim de semana, o tempo que parava em casa era pra comer e dormir. Com isso, passaram-se 3 anos e eu percebi que parei de ler e ver filmes.

Há alguns meses eu comecei a perceber que tudo demais faz mal. Parei de aceitar convites para tudo que é rolê na cidade. Meus amigos também deram uma desacelerada. A gente não tá ganhando pra isso. Mesmo assim, não tinha espaço pra leitura / filmes. Quando não saíamos pra rolê, ficavamos em casa cozinhando, conversando, relaxando juntos. Até rolava uns filmes em casa, umas estréias em festivais e tals.

Recentemente eu resolvi excluir o facebook e o twitter pra começar a focar mais em outras coisas. Agora vejo mais séries, mais filmes (infelizmente agora sinto que quase nada me conquista). Não sei mais assistir a qualquer coisa. O filme tem que ser bom mesmo, e nisso eu perco mais tempo procurando algo pra assistir do que assistindo.

Comecei a organizar a fila de livros para ler, e colocar a fila pra andar. Ler ainda é um desafio, eu não to conseguindo manter o foco como antes. E sim, ando lendo coisas que realmente me atraem, mas eu ainda prefiro conteúdo rápido que consigo terminar em poucas horas e fazer outra coisa. Literatura não é prática assim.

Agora eu to aos poucos organizando minha mente e conseguindo focar nas coisas que quero fazer. Organizando o financeiro pra pensar em voltar a estudar, assistindo séries que gosto (tô quase zerando as séries de animação do Netflix hehehe), ficando mais em casa ---sozinha--- o que é importante depois de tanto tempo em meio a tantas festas e casa cheia.

Colocando minha mente no lugar vou conseguir focar em uma coisa de cada vez e assim voltar a uma rotina saudável, um pouco de leitura, um pouco de blog, um pouco de festa, um pouco de amigos, um pouco de romance, um pouco muito de trabalho, um pouco de espiritualidade e assim conseguir encontrar meu equilíbrio novamente.

Eu não sei o que escrever aqui

Eu não sei o que escrever aqui mas sinto que preciso escrever alguma coisa. Eu não desisti desse lugar que ainda me faz bem, mesmo com a distância que mantenho dele. Só que não faz mais o mesmo sentido de antes, e talvez eu me arrependa um pouco de ter divulgado ele pra tanta gente conhecida, algumas quais ainda peguntam sobre e ainda lembram o endereço daqui. Isso me limita, não que eu deva alguma coisa pra alguem mas né, as vezes só não to afim.

Pois bem, muita coisa mudou, de novo. 


Chico e as flores

Adotei mais um gato, o Chico, e talvez isso seja a coisa mais legal dos últimos tempos. Ele é muito diferente da Brisa, da muito mais trabalho, mas é igualmente amado.

Continuo vegana. Sempre me perguntam "e ai, firme e forte?". Porque sera que as pessoas ficam esperando a falha dos outros? Pois para o desgosto de geral, sim, continuo bem vegana e cada dia mais certa de que tomei a melhor decisão.
É curioso como eu desenvolvi mais o meu lado espiritual depois do veganismo. Acredito que tudo no universo é energia e toda essa energia está conectada, então quando você sai da cadeia alimentar de crueldade algumas coisas começam a funcionar diferente pra você. É uma nova energia que circula, não é a toa que em muitas religiões existe o preceito, ou resguardo, ou quarentena, enfim... tudo para reservar um período sem consumo de carne e/ou alimentos de origem animal para a energia fluir melhor nos trabalhos ou para se manter em oração. Agora você imagina se abster da carne e alimentos animais p-a-r-a s-e-m-p-r-e. Muda muita coisa.

Excluí o Facebook e o Twitter. Também exclui mais da metade das fotos do instagram e mais da metade dos seguidores e parei de seguir gente que em nada me acrescenta ou inspira. Eu percebi que as pessoas se expõe demais sem perceber e refleti comigo "por que eu faço isso?". Por que eu preciso mostrar pro mundo essa foto? O mesmo significado que tem pra mim, terá pra todo mundo? Sim, tô bonita nessa selfie, mas eu preciso da aprovação (likes) das pessoas pra me achar bonita? 
Eu ainda não sei o que vou fazer com meu instagram, se deixo como está, se apago tudo, se continuo postando mas sem expor minha vida... O que importa pra mim não importa pra quem me segue e me incomoda compartilhar com pessoas coisas pra quem não tem o mesmo significado.

Mas não é só isso... eu não me lembrava a última vez que tinha lido um livro ou assistido um filme. Era deitar na cama e ficar com o celular na cara, facebook aberto olhando vidas que não me interessam. Era acontecer qualquer coisa, pegar o celular pra tirar foto e postar no facebook. Era levantar as 4am pra ir ao banheiro e checar notificações. Isso não é vida.

Se você tem um relacionamento saudável com as redes sociais, que bom pra você, continue assim. Eu não tinha mais, então escolhi me afastar.

Eu tenho crises existenciais constantes. Isso tá acontecendo mais do que nunca. Eu questiono demais. Eu não me conformo fácil. Eu sei que não posso mudar muita coisa porque infelizmente também sou parte do sistema - preciso trabalhar pra pagar por moradia, transporte, alimentação, cultura, diversão, etc. - mas nem por isso quer dizer que acho certo e me conformo. Isso me causa insônia. Pensar me mantém acordada por dias e noites. Isso me adoece.

Não compro roupas há meses. Tô andando com roupas folgadas, algumas manchadas ou rasgadas. E não é por falta de dinheiro mas sim porque não consigo ver sentido na necessidade de consumir, consumir, consumir. Eu sou a mesma pessoa vestindo camisão velho ou calça da moda e não é isso o que realmente importa?

Esses dias fiquei feliz da vida porque ganhei flores. Eu nunca me importei com flores até que ele apareceu com um simples porém colorido arranjo de flores que me fez sair pulando pela sala pedindo pros meus amigos me ajudarem a fazer elas viverem pra sempre. Não foi apenas o gesto dele que me comoveu, como a minha relação com a natureza que mudou demais. Eu amo flores e plantas e quero ter uma casa repleta delas. Eu pesquiso como cuidar de plantas em casa. Isso está diretamente ligado também à manipulação das ervas e temperos (que estou estudando).

Percebo que tenho me aproximado cada vez mais de pessoas com energias compatíveis com as minhas e me afastado de quem tem propósitos e valores muito diferentes. Eu sou uma esponja de energias e por isso preciso tomar muito cuidado com os ambientes e pessoas. Uma coisa que acontece muito comigo é chegar nos rolês onde encontro muitos conhecidos e logo virar uma muleta pra todo tipo de necessidades, desabafos, carências, pessoas que passam mal, etc. Quantas vezes no meio de uma brisa fui puxada por alguém que estava se sentindo mal, ou que teve uma crise de ansiedade, ou que me pedia pra ajudar a encontrar alguém, ou que tava numa bad de alguma droga, ou que precisava pedir um uber e o celular acabou a bateria, etc... e nisso perdia horas e minha brisa boa ia embora pra sempre. Sei que sou incapaz de negar um abraço e carinho pra alguém e isso acaba me sugando demais. Mas diminui bastante a frequência de festas e tô fazendo muito programa caseiro só com pessoas mais intimas. 

Há meses tenho sonhos estranhos. Um nome vinha na minha mente e fui pesquisar e descobri que se tratava de uma entidade da Umbanda. Não fui atrás, mas coincidentemente a Umbanda é a religião que o boy frequenta, uma amiga próxima também. Mas eu sempre tinha uma desculpa pra não ir, até que um dia em uma conversa informal no almoço de trabalho combinei com uma colega de ir no centro dela. Agora eu não sei se sou uma frequentadora, ou sei lá como se chama, mas estou indo conforme sinto a necessidade. Deixando rolar. Eu abri um canal pra que quem quer que seja que queira se comunicar comigo possa vir, mas talvez não tenha sensibilidade o suficiente pra perceber - se é que há - algum contato. Mas os sonhos e o nome da tal entidade parou de aparecer na minha mente. Uma das resoluções de 2018 pra mim é cuidar do lado espiritual.

Bom, pra quem não sabia o que escrever, até que escrevi bastante. Uma amiga me diz que preciso abrir um canal no Youtube porque tenho muito conteúdo interessante. risos me sinto mesmo lisonjeada e um pouco metida por isso. Mas assim como aconteceu com o instagram, eu acho que não tô mais na vibe de compartilhar meus pensamentos e minha vida com pessoas que não me importam.

Diário de uma vegana iniciante

Dia 01: Hoje me senti bem enojada por pensar que, ainda ontem, comi uma carne de 140g de hambúrguer. Estou pensando aqui, quanto tempo meu corpo vai demorar para se livrar de todas os resíduos daquela carne? 

Dia 02: Hoje eu senti muita fome. O dia todo. Comi normalmente, apenas me atentando a negar alimentos de origem animal. Recusei chocolate mais de uma vez. A vontade de chocolate ainda não bateu forte, eu acho que será a parte mais difícil.

Dia 03: Aqui em casa estão começando a perceber que minha nova dieta é real. Também estou pesquisando várias coisas e percebendo que o veganismo é muito mais que apenas uma dieta diferente, é um estilo de vida. Admiro muito meus amigos veganos, pois não é fácil. Agradeço por Pedro em minha vida! Não apenas por dizer que posso pedir qualquer comida que ele faz pra mim. Stephan também tá me ajudando muito com dicas e opções.

Dia 04: Pedro chegou! (outro Pedro vegano). Cozinhamos juntos, batatas com abobrinhas, cebola e cenoura assadas e macarrão alho e óleo. Todos adoraram! Ele trouxe muita coisa vegana, doces, grãos, massas...

Dia 05: Foi difícil não comer o bolo de chocolate do João! Mas o Ste tava lá pra me dar apoio. A Mel disse que eu podia comer um pedaço pois foi feito com amor. Eu também acredito que o amor faz diferença na alimentação, mas se eu abrir exceção uma vez, vou querer abrir sempre.

Dia 06: Passar um fim de semana foi complicado, porque é geralmente no fim de semana que meto o pé na jaca. Tomei café da manhã na padaria da esquina, a única opção foi café, suco e pão na chapa com azeite.

Dia 07: Uma semana hoje. Eu sinto muita fome! Como normalmente, não tenho frescura, apenas não pode ter carne, peixe, ovo, leite, queijo e etc. Nada de origem animal, e é difícil. No mercado as opções sem leite pra fazer um lanche são bem limitadas. Como fruta pra compensar. Quando preciso de leite pra misturar algo, faço com aveia e água. Como muita paçoca pra compensar a falta de doce e encontrei algumas opções de chocolate vegano (que não é muito gostoso, prefiro paçoca).

Dia 10: A vontade de comer queijo tá batendo forte. Confesso que um dia desses eu quase abri exceção, mas sei que se fizesse uma vez ia fazer sempre. Carne e leite é o mais fácil, tô meio com nojo. Mas queijo...

Dia 12: Emagreci 1kg. Achei que emagreceria mais rápido, e não que este seja o objetivo, mas eu cortei MUITA coisa que comia diariamente. Ah, sempre que posso caio de cara no pastel de palmito, batata frita, paçoca... quem disse que vegano é saudável mesmo? Ontem mesmo Pedro fez uma lasanha vegana que eu comi até ficar com azia...

(Registrando aqui pra me lembrar como foram os primeiros dias).
(Achei que ia ser bem pior).

Livre de objetos e pessoas

O ano mal começou e já tenho repertório pra um livro. Como falamos lá em casa, nossa vida daria uma série, um reality show.


No fim de janeiro eu mudei de casa. Lidar com tudo que envolve uma mudança não é uma das coisas mais fáceis. Carreto, dinheiro, caixas, novo aluguel, novas contas, nova rotina, caixas, adaptações culinárias, entender como funciona a casa (que eu já frequentava mas morar é diferente), mais caixas. 

Antes mesmo do carnaval eu já tava vivendo muitas emoções. Novos amores partiram e chegaram. Voltei a beber (já mais ou menos parei), dancei funk putaria, beijei geral, me apaixonei... foi muito intenso.

Decidi que era hora de adotar um gato. Conversei em casa, cada dia era uma justificativa diferente, (melhor adaptar a casa, melhor esperar a inspeção, melhor prever os gastos antes), melhor melhor melhor. E toda hora apareciam gatinhos pra adoção, fotos eram compartilhadas, eu chorava, pedia por favor. E assim foi durante semanas.

Até que Brisa apareceu. E a gente teve uma conversa, e enfim o bonde do Bixiga virou mãe. Gastei horrores pra ter tudo pronto pra receber a gatinha. Senti que enfim eu encontrei a gatinha certa, na hora exata. 

Então recebemos uma carta. O proprietário pediu o apartamento e deu um prazo de 30 dias pra entregá-lo "livre de objetos e pessoas". Só pensei na Brisa. Acabei de adotá-la e quero dar um lar seguro e aconchegante pra ela. Pensei em tudo, em não encontrar lugar pra seis pessoas, em não encontrar lugar que aceite gato, em me separar deles, não ter mais eles pra cuidarem da Brisa, pra cuidarmos um do outro.

Eu vivo em um meio de pessoas que tem histórias muito pesadas de preconceito, racismo, preterimento, violências, e nos encontramos em ambientes de desconstrução e lutas constantes contra esse sistema que tá reprimindo todo mundo. É importante pra mim estar perto dos meus amigos, onde me aceitam e não julgam. Sei que tenho todos os privilégios de mulher branca, mas ainda assim mulher, gorda, bissexual, que não performa feminilidade 100%, que se impõe em situações que antes se calava, que não vive uma vida padrão e normativa, que tem plena consciência disso, que escolheu ir na contra mão da sociedade e é feliz assim. Mas nenhum dia é fácil.

Em casa somos em 6 pessoas, sendo negros, gays, bissexuais, gordo, drag, mulher trans, nordestinos, pobres, homens cis que quebram padrões de gênero, mulher cis que quebra padrão de gênero. As histórias de repressão são diárias. É foda ser mulher neste mundo, é foda ser preto, é foda ser gordo, é foda ser mulher trans negra, é foda ser pobre. Isto é parte do contexto que nos une. 

E então acabou? "então a série termina assim né, com as Chiquititas se separando?".

"livre de objetos e pessoas"

Em meio a isso tudo eu tava lidando com problemas de relacionamento, com paranoias internas, minha saúde mental (e de todo mundo na real), já tava bem fragilizada. 

Depois de Heliodora eu voltei diferente. Acho que acessei coisas que precisava, mas que mexem com muito mais do que eu poderia lidar no momento. Tive uma recaída, voltei a ser medicada. Parece que esses remédios maquiam nossos sentimentos, me sinto apática, fria, sem capacidade de sentir adequadamente.

Como podem permitir que a gente tome isso e tá tudo bem?



As emoções de todos estavam exaltadas, alguns apartamentos que conseguíamos e iniciamos o processo de contrato deram errado, em meio a isso, discussões, brigas, gente querendo sair, e todos bem fodidos psicologicamente.

Até que enfim encontramos um lugar, aos 45min do 2° tempo, faltando 5 dias pra liberarmos o apê ~livre de objetos e pessoas~ e achando que não íamos dar conta de uma mudança de 6 pessoas.

Então parece que a série foi renovada pra segunda temporada. Não sem antes muitos sustos, lágrimas, planos Bs Cs e Ds, desespero e falta de esperanças. Já estamos devidamente instalados no novo apto, que é grande o suficiente pra todo mundo ter seu espaço e privacidade. Que tem uma sala enorme com janelão pra gente reunir os amigos numa quarta-feira, que tem banheira que estamos planejando estrear todos juntos e uma cozinha de patrícia com uma bancada que dá pra cozinhar os 6 ao mesmo tempo, lado a lado (Pedro está apaixonado por esta possibilidade).

Eu sei que este post foi pesado. O começo do ano inteiro foi, mas não me arrependo de ter escrito ele. Eu escrevi pra mim, em primeiro lugar, foi bom ler depois de um tempo e conseguir apontar o que precisava corrigir (na vida, no caso). Mas informo que Brisa já está vacinada e bem adaptada no novo lar. Já domina todos os espaços. Vou castrá-la esta semana. Ela é a gatinha mais mimada que você vai ter notícia. Eu garanto pra ela uma vida de gatinho plena e feliz até seu último suspiro.

Esta responsabilidade me equilibrou. Ter gato pra cuidar equilibrou todo mundo. Morar num prédio de patrícia nos colocou um freio necessário na vida loka que a gente tava vivendo. Aqui tem portaria com regras chatas de famílias tradicionais padrão e a gente precisa segui-las (a vida em sociedade nunca me pareceu tão chata). Ter saído do centro tirou nossa casa da rota de afters de festas e visitas quase todos os dias e isso nos mantém mais tranquilos e saudáveis.

Passei uma semana no Rio de Janeiro, por um ato de generosidade de um amigo carioca que tem apto lá e se dispôs a ir comigo e passear bastante (mesmo ele conhecendo e já ter visitado tudo centenas de vezes). Foi uma pausa que me fez muito bem, respirar um ar novo fora dessa cidade.

São Paulo is killing me. As vezes.

Hoje saí do hospital depois de 3 dias de internação por pneumonia. Fui pesquisar a psicossomática da pneumonia e: "cansaço da vida, irritação por ter se doado muito sem haver troca". Eu não sei se vocês acreditam nisso mas no que se refere a mim, eu vejo um ponto de partida aqui.

As coisas estão melhorando.

Mais uma dose de lítio

É noite do dia 13 de abril e eu estou sentada na cama escrevendo este texto, enquanto fumo um baseado e bebo um vinho de R$ 8,76. Já neguei convite pra 2 festas e 1 pizza e estou esperando o boy chegar. São 18h do dia 16 quando terminei este texto, ainda sem banho e com o nariz entupido, pensando como minha vida é previsível e toda semana acontece praticamente as mesmas coisas. 



- Fiquei 10 dias internado, já não aguentava mais, ainda não tô 100%. Esse ano tá sendo cabrero, já roubaram minha bike, já perdi a casa que morava, já fui preso, agora quebrei as costelas... Mas vai melhorar. 

Levantamos pra comer alguma coisa, bebi e fumei mais e nos perdemos em diálogos improváveis sobre música, o universo e tudo o mais. Amanhã vou acordar quando todo mundo tiver acabado de deitar, vou observar a Brisa brincar com os dreads dele, limpar a areia dela e tomar mais uma dose de lítio.

- Você não pode se separar deles, imagina se você perder a memória de novo ou tiver qualquer outro surto? Vocês precisam ficar juntos. 
- Esse ano tá sendo insano pra nós dois, né. Ainda bem que não somos um casal oficial. 
- O pior casal de São Paulo.

 A sexta-feira foi longa, comecei a encaixotar minhas coisas pela 2° vez este ano - e ainda estamos em abril. Recebi amigos, o pessoal chegou do rolê de ontem no começo da noite. A noite neguei convites pra mais festas, o vinho de 8 reais rendeu, tô mega chapada e bêbada. 

- oi sumida. 
- oi, eu tava pensando em você. 
Nem era verdade. 

Acendi as luzinhas, coloquei música brasileira, bebi mais, fumei mais e escrevi um pouco. Coloquei algumas camisinhas no criado mudo que fiz com uma caixa de papelão da minha última mudança. 

- A cortina baixou, as luzinhas acenderam e a música aumentou, já sei que a Day tá transando. 
- Ou seja, todo dia. 
- Ah, como se vocês não transassem!

Ele chegou, disse reparou que o meu olho tá vermelho, eu disse que to muito chapada. Ele disse que sonha com o dia em que vai me ver sóbria, eu disse que vou melhorar e ri fingindo que tá tudo sob controle.

- Mas como aconteceu? 
- Minha mente falhou, eu não sei bem, já aconteceu antes, talvez sejam os remédios, eu não consegui me lembrar como voltar pra casa. 
- Vamos colocar um chip em você. Em você e no Ciro, risos risos


Sexta a noite eu só queria dormir. Eu preciso dar um tempo, cuidar da minha saúde. Eu acho que posso tudo porque eu sou jovem, eu durmo muito pouco, trabalho pra caralho, é difícil descansar quando toda sua lista de contatos são também seus vizinhos de bairro. Eu tentei reduzir os danos parando de beber, mas tem dias que não aguento a realidade e preciso beber ficar louca de forma rápida e barata. Funciona.

- Desde que você saiu da minha vida tudo virou uma confusão e nem sei viver de outra forma, mas minha saúde - física e mental - já tá cobrando o preço. Eu nunca segui nenhum dos seus conselhos, mas era bom escutar você, a forma como você acreditava que eu tinha jeito, que podia me consertar.Eu nunca entendi como você prometeu amizade num momento em que eu precisava demais e depois apenas se foi.

Acordei ao lado de alguém que não queria. Sai pra almoçar com amigos e depois fomos pra roda de sample na Pompéia. Rolê de rua em bairro nobre sempre dá polícia, escondam bem os seus B.Os. Dá aqui, deixa eu colocar no meu sutiã, ninguém vai revistar meu sutiã. Aquele boy chegou no mesmo metrô que meus amigos, finjo que não o vi, vamos rápido, acho que ele não me viu, viu? 

Prometi ficar tranquila. Tomei aquela bala nova que tá rolando nas festas, 2cb. Que loucura cara! O que tá acontecendo? A gente não consegue parar de dar risada! Acabou a festa, paramos em um barzinho padrão na Pompéia. Olha só, a gente tá num barzinho padrão na Pompéia! Padrãozinho, golpista! Hahahaahah eu tô tranquila migo, tô de boas, hoje não vou dar vexame (enquanto rebolo até o chão num barzinho padrão na Pompéia).

Fomos parar no Lourdes, um inferninho alternativo na Consolação. Várias festas que frequentamos rola lá há algum tempo, várias histórias. Um amigo encontrou um antigo crush que tava gravando um filme lá. Eu tô sempre bem loka e tudo parece incrível demais ou realmente tudo de incrível demais acontece comigo? Você encontra ex crush com uma vida interessante enquanto eu fujo de crush viciado em pó. Cada um tem o que merece. 

- Foi no carnaval, não foi? 
- Eu não sabia que vocês moravam juntos. 
- Você também estuda na FAU? 
- Eu só vou porque preciso do dinheiro. Preciso de remédios, preciso de padê, Day me dá um lítio? 

Vamos pra casa, decidimos comprar comida no Estadão. Desvio da Roosevelt com todas as minhas forças. Eu tenho preguiça daquelas pessoas clichês, com suas roupas de brechó, artistas de teatro, cabelos coloridos, gente de humanas tocando algum instrumento que eu não tenho interesse, baseados rolando e eu percebendo o quanto eu me encaixo naqueles estereótipos. 

Saímos de casa, peço pro boy me esperar no Estadão -  "Deixei minhas coisas na sua casa, a porta tava aberta, a Brisa tava dormindo na sua cama". De lá, meus amigos arrumaram outro lugar pra ir, casa de amigo de amigo, qual a porcentagem de héteros nesse rolê? Eu tô de boa de héteros por hoje, vou pra casa com o meu. 

Domingo eu acordo sem entender nada. Abro a porta dos 3 quartos silenciosamente pra conferir todo mundo (miga eu tô tão louca, vem me conferir). Valen não volta pra casa desde quinta-feira, mando uma mensagem. São nesses dias em que a casa fica absolutamente silenciosa que eu consigo escutar minha mente, mas geralmente não é bom. 

"Você muda de personalidade não é? você me lembra a Nina do Cisne Negro".
E nunca mais me procurou. É obvio, eu fiz o cara dirigir até a minha casa as onze da noite, pra mandar ele ir embora as 2am sem nem ter dado um beijo! Vira e mexe eu me lembro da voz dele falando isso pra mim. Será que as pessoas sabem o impacto que causam nas outras?

"Mas a Nina não era esquizofrênica?"

Acabo de me lembrar que preciso me recompor de toda a loucura desses últimos 3 dias. Amanhã eu trabalho e o aluguel está atrasado. Nosso último aluguel, álias. E ainda tem mais essa, lidar com mais uma procura por apartamento, carreto, caixas, mudanças, sem dinheiro pra vacinar a gatinha. Não tem como fingir que tá tudo bem. Mesmo com uma dose maior de lítio. 

- Pra que serve esse? 
- O lítio é um estabilizador de humor, como dizia Bethania, é melhor ser feliz do que ser triste, né. 
- Kurt Cobain usava isso quando se matou. 
- Se remédios funcionassem, não existiriam suicídios entre pacientes psiquiátricos. Mas eu ainda tô aqui, não estou?

Pelo menos ainda durmo sem remédios. Quer dizer, eu praticamente só escolheria dormir na minha vida, sono é o que não me falta e mesmo assim sou a que menos dorme. Eu queria uma rotina flexível agora, resolver minhas merdas, ver minha futura casa não apenas por fotos, ir às consultas médicas, dormir bem. 

- Não deu certo de novo? 
- Pois é, o cara vai alugar o apê pra tia dele. 
- Quando foi que nossa vida se tornou este sitcom?
- Vai melhorar Day. Você precisa cuidar da sua cabeça e tudo vai ficar bem. 
- Mas toda vez que você vai embora eu penso que talvez não te veja mais. 
- A gente precisa se esforçar pra se manter vivo e isso não é estranho? 
- Eu acreditava que tudo ia ficar bem quando só eu chorava, mas agora você também chora. 
- Eu tô realmente muito perdido.

Amanhã é segunda-feira e a gente vai cuidar das responsabilidades. Contas, novo apê, trabalho. E tem mais um feriado na sexta, mais uma vez o ciclo vai se repetir, festas, casa cheia, eu prometendo nunca mais beber, percebendo as 5am do sábado o quão cansada eu tô da minha vida medíocre e clichê, só pra depois olhar em volta pra cada rosto familiar e perceber o quanto eu amo e sou amada, apesar de tudo. Sigamos.

Voodostock em Heliodora - MG

Há muito tempo eu queria ir para o meio do mato me desconectar do mundo e me conectar com a natureza. Na chegada, montando a barraca no escuro a 1 da manhã, com aranhas pulando por cima das coisas e insetos me picando, eu já queria ir embora. Mas no fim do primeiro dia eu já deitava na grama e desfrutava da gostosa sensação do insetos passeando pelo meu corpo.

Você entende que a natureza não vai te fazer nenhum mal. É você quem está invadindo o espaço dela, é você quem está em cima da casa daqueles bichos. Você respeita a natureza e ela não te fará mal. 

A música o tempo todo tocando nos mantinha em um estado alterado de consciência. Parecia um transe 24hs por dia, do qual ninguém queria mais sair. A gente era capaz de ficar horas sentado na beira da piscina em estado de contemplação, sem conversar. Fumar um beck parecia que puxava toda a brisa das drogas que usei há tempos atrás e me mantinha chapada por horas. Sentir a natureza pulsando, respirando junto com você.

Quando eu deitava e fechava os olhos, podia sentir essa força e nas minhas viagens eu tinha visões claras e consciência total de que eu era uma partícula no universo. Quando eu me conectava muito com a música eu me fundia com a mãe natureza. Uma experiência muito difícil de alcançar morando na cidade e muito mais fácil estando under the influence.

Na minha primeira visita a cachoeira eu senti medo dela. Muito alta, queda pesada, me senti um grão de areia. Voltei, sentei na grama, tomei um ácido e ali permaneci até o fim da tarde. Ouvi uma voz de fada cantando gemidos desconexos ao ritmo da música. Era uma artista gringa que minutos antes rodava seu bambolê nos mantendo hipnotizados. De repente alguém assobiava ritmadamente dando um tom a mais à música instrumental. Grupos se reuniam na grama, conversas, danças, beijos, gentilezas, abraços, cores. As árvores eram mais coloridas, a grama era mais verde. As pessoas em volta sorriam. Eu estava onde deveria estar. Por favor, preciso me lembrar deste momento.

Meus amigos aos poucos foram se juntando a mim. Voltando da cachoeira, se recompondo. A tarde caiu e começou a esfriar. Descemos para tomar banho. Os chuveiros eram a céu aberto a alguns metros do acampamento, mesmo assim alguma pessoas montaram suas barracas bem ao lado. Ok, vou tomar banho de calcinha. Bom, ta escurecendo, muitos tomam banho pelado, a gente tá na Voodoohop, a "festa dos pelados", como dizem por aí... por que não? Tomamos um banho pelados a céu aberto mais gelado das nossas vidas. "Preciso guardar este momento".

A noite caiu, a música aumentou, um amigo me puxou correndo, "você vai gostar disso". Alguém fazia uma performance que eu não consigo explicar. Sentamos na grama, esperando a qualquer momento aquela pessoa virar uma águia e sair voando. Usando o próprio corpo como tela para uma projeção de imagens, que se misturavam com uma espécie de asa que ele girava. "Preciso guardar este momento, preciso me lembrar depois".

Desci pra área da piscina. Deitei num lounge com outros amigos, fumamos um, cochilei. Me levantei e olhei em volta. A iluminação preparada para deixar as árvores com um aspecto de 3d, com o movimento do vento, era mágico. Projeções em outras árvores, cores, sonhos. Thomas Haferlach começou seu set, e a pista transcendeu. 

Fui pra barraca. 

No meio da noite acordei com um DJ mixando a música "because" dos Beatles. Me lembrei da cena do filme "Across the Universe", quando eles cantam deitados na grama. Quis levantar e repetir a cena, mas o cansaço era maior. Horas depois acordei com uma do Nômade Orquestra. Nômade é uma das minhas bandas favoritas. "Preciso me lembrar deste momento". No dia seguinte ouvi histórias sobre como a pista daquela noite estava ritualística. Meu amigo disse: "em um momento eu tava dançando e senti que não era eu quem estava ali".

Decido subir a cachoeira. Encontrei meus amigos de novo. Dessa vez, tomei coragem e fui na nascente. Entrei na água gelada, ainda com medo. Um amigo que amo chegou de São Paulo e eu fiquei muito feliz. Lembrei muito de uma amiga, que com certeza iria energizar suas pedras e nadar pelada. Lembrei de outro amigo, que já partiu de volta pra sua cidade. Ele ia amar ter feito esta viagem comigo. Ficamos por ali e fizemos planos de subir o pasto das vacas pra caçar cogumelos, mas não choveu, portanto decidimos que não teria nenhum.

Desci, tomei outro ácido e fui pra piscina. A roda de sample é uma roda onde vários Djs tocam juntos no improviso e é sempre delicioso de assistir. Calefação Tropicaos começou a tocar, a galera animada, sol queimando, minhas amigas já sem o biquíni. Tudo estava como tinha que estar. Um cachorro passeava por ali, distribuía amor pra todo mundo. Momentos.

A noite chegou, fui dar uma volta. A geodésica já estava montada, mas eu não entrei, não senti que precisava. Já tinha energia demais rolando em mim. 

Fui pra pista esperar o R Vicenzo tocar. O Vicenzo é um dos meus Djs favoritos, com uma psicodelia brasileira, ele mistura algumas letras de MPB, batidas de funk, rap, cumbia entre outros. Tudo estava lindo. Os visuais, as projeções, ao longe uma projeção na Pedra do Macaco, poucos notaram. Meu amigo disse "eu tô aqui há dias, a gente fez a montagem da festa todo mundo muito louco". Deu certo. Um momento todas as luzes apagaram, não lembro mais qual das noites isso aconteceu, eu tava muito chapada na hora e tomei uma consciência absurda de onde eu estava. No chão, a única luz era de uma lagarta linda, uma cena que me lembrou do filme "As aventuras de Pi".

Thomas, idealizador da Voodoohop e o cara que iniciou a cena de festas de ruas e ocupações que eu participo hoje, andava por ali, com seu olhar doce e sorrindo pra todos os lados. Lembro de querer sentir o que ele estava sentindo, ver sua festa ainda funcionar mesmo depois de anos e depois de ter saído do Brasil. A Voodoo vai voltar, é o que escuto há uns 6 meses.  Ia chegar o momento certo de agradecê-lo por tudo. Me senti feliz, lembrei do bar do Netão e nunca imaginar que encontraria tudo novo e diferente em 2014 e nem que eu estaria em Heliodora com eles em 2017. Eu vou agradecê-lo quando estiver mais sóbria.

A Dayane de São Paulo não estava ali, nem lembrava que existia uma vida fora dali. Sem bateria no celular, sem sinal de internet, sem notícias de fora. Será que o Temer já caiu? Se não fossem pelos compromissos aqui, eu ficaria dias lá. Não precisava de nada. A gente se olhava e repetia,"eu não preciso de mais nada"

Desci pra desmontar minha barraca, com a ajuda dos amigos que tem mais experiência do que eu em acampar. Dessa vez não tive medo e nenhuma aranha apareceu. Entreguei os ilícitos que sobraram pros meninos, "o que vem pra Heliodora não sai de Heliodora". Fui pegar a nave de volta. Ouvi histórias sobre aqueles dias, coisas engraçadas, momentos mágicos, imprevistos, etc. 

De volta a São Paulo ainda não desconectei de lá. Você está muito introspectiva, eles dizem. Meu roommate chegou ontem a noite, voltando a falar com os amigos que voltaram antes, ainda recebendo notícias e fotos dos que ficaram por lá. Como disse um amigo, "Heliodora é um investimento em saúde mental". Precisamos voltar. Precisamos.












Roda de sample


Pandora.